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Domingo, 01 Ago 2021
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SOCIEDADE
FARRAPEIRO VAI TER MEMORIAL NO DOMINGUIZO
Rádio Cova da Beira
O farrapeiro vai ter um memorial na freguesia de Dominguizo, que conte a hist贸ria desta extinta profiss茫o. Depois da est谩tua do farrapeiro e do mural dedicado 脿 mulher farrapeira, a junta de freguesia de Dominguizo vai inaugurar um museu a c茅u aberto, que preserva a mem贸ria desta atividade, que matou a fome a muita gente depois da II Guerra Mundial.
Por Paula Brito em 14 de Jun de 2021

“Na década de 40 e 50, a seguir à II Guerra Mundial, não havia emprego, e no Dominguiso tiveram de procurar o seu modo de sobrevivência. As pessoas saiam do Dominguizo, percorriam a Beira Baixa, Alto Alentejo e chegavam a entrar na Beira Alta, à procura dos desperdícios. Eu costumo dizer que as primeiras pessoas a reciclarem foram as do Dominguizo, porque comprávamos tudo o que as pessoas deitavam fora ou trocávamos, às vezes até por agulhas ou outros materiais. Os farrapeiros corriam as aldeias todas em volta a comprar trapos, metais, peles, era um modo de vida, e éramos chamados os farrapeiros.”

 

Um nome que se mantém até hoje e que dá nome à maior festa da aldeia “Os farrapeiros” que este ano, pela segunda vez, não se vai realizar devido à pandemia.

 

José Matos, presidente da junta de freguesia do Dominguizo, em entrevista à RCB, recorda a forma como no Dominguizo se transformavam farrapos em comida.

 

“Os farrapos eram vendidos para as fábricas, para as esfarrapadeiras, para eles transformarem em tecido novo. Nós fazíamos a recolha e a separação dos farrapos, por cores, por géneros, algodões, e depois eram vendidos às fábricas para eles transformarem em fios.” Uma atividade a que se ocupava praticamente toda a aldeia. “Muitos, saíam em bando do Dominguizo, muita gente trabalhou nesse modo de vida.”

 

Em breve, a junta de freguesia vai contar a história dos farrapeiros através de um memorial ao ar livre que está a preparar no requalificado largo António Ferreira.

 

“É um memorial ao farrapeiro, ao fim e ao cabo vamos fazer ali o núcleo museológico do farrapeiro. Vai estar ali todo o ano, com figuras, com bicicleta, que era um dos meios com que se deslocava. Vai estar uma pequena história do farrapeiro, vai estar a romana, que era a balança com que o farrapeiro pesava as suas sacas, vai ter uma saca, vai ter o caniço, que era aquele objeto com que as senhoras escolhiam e separavam os farrapos. Vai ser um museu ao ar livre, a céu aberto, porque o farrapeiro não tinha muitas ferramentas, muita gente dizia que era o homem do saco.”

 

Uma obra que custou 25 mil euros e que requalificou o centro da aldeia a partir da demolição de uma casa doada pela família de António Ferreira, a personalidade que dá nome ao largo, uma vez que “era uma pessoa muito querida no Dominguizo”, tinha uma porta aberta, que além de café, era farmácia, enfermaria, “onde dava vacinas a quem o solicitasse” e onde prestava todo o tipo de ajuda. 


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