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segunda, 06 fev 2023
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CULTURA
“VALE DA SRA. DA PÓVOA E A SUA ROMARIA” EM LIVRO
Rádio Cova da Beira
António Cabanas apresentou a sua mais recente obra sobre a romaria da Sra. da Póvoa, no fim-de-semana em que aquela localidade do concelho de Penamacor recebeu a secular festa que se realiza 50 dias depois da Páscoa, desde há séculos.
Por Paula Brito Batista em 27 d May d 2016
Na pesquisa que realizou para escrever este livro, António Cabanas não conseguiu datar a origem da romaria mas o património que ainda existe na capela não deixa margem para dúvidas sobre a sua antiguidade “designadamente as imagens dos santos que a capela tem e também a própria imagem da Sra. da Póvoa, e também um conjunto de outros documentos, podemos concluir que, do ponto de vista cristão, a romaria vem seguramente do séc. XII/XIII, vem das festas de Pentecostes trazidas pela rainha D. Isabel de Castela”.

Mas o investigador está convencido que a romaria é ainda mais antiga e terá tido origem num culto pré romano. Uma teoria sustentada nos importantes achados arqueológicos daquela localidade “o povoamento era muito denso e teria que forçosamente haver ali um culto importante, e eu estou convencido que o culto da Sra. da Póvoa era o grande culto do povo Oppidanos, onde toda a comunidade se juntava e eventualmente as comunidades vizinhas, o que ainda hoje se faz, à Sra. da Póvoa continuam a vir pessoas de toda a região”.

Vêm de toda a parte para uma romaria que continua a mobilizar a região, apesar da tentativa no século passado de separar o que era profano do que era religioso “a festa antigamente era de três dias, (domingo, segunda e terça) com bandas de música, fogo-de-artifício e tudo, em 1940, o bispo de então proibiu o arraial e houve um ano que nem se fez a festa, e partir desse ano a festa começou a ser apenas de um dia, a segunda-feira, e foi assim durante muitas décadas, mas aos poucos o arraial  voltou a incorporar-se”.

De toda a pesquisa que realizou para escrever o livro, António Cabanas ficou surpreendido sobretudo com o espólio encontrado, pela diversidade, antiguidade e pela história que conta, como os livros de contas que confirmam que foi a romaria da Sra. da Póvoa que sustentou financeiramente o hospital de Penamacor durante mais de um século “foi uma relação muito grande e profícua porque o hospital viveu esse período todo com as receitas que eram geradas na romaria, desde 1835, através de um decreto do governo, até meados do séc. XX”.

Associada à romaria está o cancioneiro que António Cabanas transcreve no livro, como o verso alusivo à meteorologia “esta romaria como é móvel às vezes ainda chove e então pede-se à santa: Nossa Sra. da Póvoa mandai sol que quer chover, que se molham os vestidos à gente que vos vem ver”.

Versos que muitos músicos cantaram como Zeca Afonso ou Tonicha sobre uma romaria que de tão importante “roubou” o nome à aldeia que até 1957 se chamava Vale de Lobo.


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