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Terça, 25 Set 2018
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CULTURA
BORDADO DE CASTELO BRANCO POR UM FIO
Publicado em 2006, o projecto lei de promoção, valorização e certificação dos bordados de Castelo Branco ainda não saiu do papel.
Por Paula Brito em 13 de Apr de 2011

Para dar corpo a essa lei foi recentemente criada a Associação dos bordados de Castelo Branco, numa parceria tripartida entre a câmara municipal de Castelo Branco, Instituto Politécnico e Adraces. O objectivo é a criação de uma escola oficina que, segundo Joaquim Morão, funcionará no antigo edifício dos CTT. O autarca admite atrasos no projecto "estamos um pouco atrasados nessa matéria, já devíamos estar no terreno com isso". O objectivo, segundo o presidente da câmara de Castelo Branco, "é dar um impulso forte ao Bordado de Castelo Branco e transformá-lo numa actividade económica, já temos os instrumentos na mão falta colocá-los no terreno".

A escola oficina funcionará com 12 postos de trabalho para bordadeiras e alunas e poderá ser a tábua de salvação do bordado de Castelo Branco uma vez que a escola oficina que existe no Museu Francisco Tavares Proença Júnior pode estar por um fio. Actualmente são apenas três as bordadeiras que ali existem, já que as restantes foram saindo sem terem sido substituídas pela Administração Central.

Para além do museu, existe na cidade um atelier de bordados de Castelo Branco a funcionar no primeiro andar do edifício do mercado municipal. A proprietária, Manuela Serra, tem 62 anos, é bordadeira desde os 10 e só deixou de bordar o dia em que acabou em Castelo Branco a seda natural "o bordado de Castelo Branco tem que ser feito com seda natural, um bom linho e boas mãos". O rigor no desenho, a concentração para trabalhar os inúmeros pontos que tem este bordado e o bom gosto para jogar com as cores são outros dos requisitos necessários, "quem faz este bordado tem que ter qualidade" e é pelo fim desta desta arte genuína que Manuela Serra teme "o noso bordado alguém tem que lhe pegar, alguém com capital e potencial para não deixar morrer o bordado de Castelo Branco que é um referência e um ex-líbris da nossa cidade".

De origem e inspiração oriental as colchas de Castelo Branco são conhecidas pelo menos desde o séc. XVI e não faltavam no enxoval de qualquer noiva da região devido à simbologia dos seus elementos decorativos, de que são exemplos, os pássaros juntos que representam os desposados, os encadeados a cadeia do matrimónio, o cravos o homem, as rosas a mulher, os lírios a virtude, os corações o amor, o jasmim a castidade e a romã e as pinhas a solidariedade e união da família.


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