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SOCIEDADE
VIOL?NCIA DOM?STICA: INACEIT?VEL MAS SILENCIADA
Estudo sobre a "Percep??o da viol?ncia dom?stica no distrito de Castelo Branco" revela elevado grau de inaceitabilidade do fen?meno mas, sem consequ?ncias: ? que na realidade a viol?ncia dom?stica n?o ? denunciada.
Por Paula Brito em 29 de Nov de 2010

Dos 743 inquiridos no âmbito do estudo sobre a percepção da violência doméstica no distrito de Castelo Branco, mais de 13% assumiram que foram vítimas deste tipo de violência. Foi o dado que mais surpreendeu o coordenador do estudo realizado pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra no âmbito do projecto da Associação de Desenvolvimento Integrado da Beira Baixa -Reconhecer para Defender contra a violência doméstica, "neste estudo surpreendeu-me a disponibilidade das pessoas para assumirem que foram vítimas de violência doméstica, 13% parece pouco mas não é, principalmente se tivermos em conta a dificuldade que é falar do assunto".

Paulo Peixoto destaca ainda a grande discrepância entre a  inaceitabilidade da violência doméstica e a denúncia. É que se a quase totalidade dos inquiridos considera que o problema é grave ou muito grave, "depois, na práctica não tem consequência ao nível da denúncia". A violência doméstica é calada em 75% dos casos por medo de represália, em 66% por vergonha e 35% devido aos filhos.

Outro dos dados surpreendentes do estudo é que quase um quinto da amostra não sabe se existe em Portugal legislação de protecção das vítimas de violência doméstica, 11% diz ter mesmo a certeza que não existem, 7% acha que apenas a vítima pode denunciar a situação e mais de metade não sabe se existem no distrito instituições de apoio.

Apesar do desconhecimento que existe em relação às instituições de apoio às vítimas de violência doméstica a verdade é que no distrito existem dois gabinetes: um a funcionar no governo civil de Castelo Branco outro na cidade da Covilhã, na quinta das Rosas. Este último abriu no passado mês de Maio e atingiu durante este mês de Novembro os 100 atendimentos ultrapassando em muito as expectativas da coordenador da Associação Coolabora que promove este projecto "estimávamos 100 atendimentos por ano e neste momento, 6 mesese depois, já ultrapassámos esse valor". Segundo Graça Rojão os números vão ao encontro do aumento de denúncias de violência doméstica que se tem registado no distrito nos últimos anos "em 2008 tivémos no distrito 405 participações, em 2009, 433 e em Outubro deste ano já tínhamos 351".

Uma realidade que se estende ao todo nacional "estima-se que uma em cada três mulheres, nos últimos 12 meses, foi vítima de violência doméstica, temos 84 participações por dia, 30 600 por ano e sabem quantas pessoas estavam detidas por este tipo de crime em Agosto de 2010, apenas 59".

Graça Rojão no governo civil de Castelo Branco no âmbito das comemorações do dia internacional contra a violência doméstica. Apesar de reconhecer que Portugal acordou tarde para este fenómeno, Alzira Serrasqueiro apelou a um "combate sem tréguas" contra a violência doméstica.

“Violência não faz o meu género” é a exposição que pode visitar no governo civil  até ao fim do ano. Trata-se de uma mostra de 50 desenhos de cartonistas de todo o mundo cujo tema é a violência doméstica. É a segunda vez que a mostra está em exposição em Portugal, depois da Assembleia da República chega agora ao governo civil de Castelo Branco.


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