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CULTURA
FUNDÃO: BOMBOS E CAIXAS SÃO PATRIMÓNIO CULTURAL IMATERIAL
Rádio Cova da Beira
O método utilizado no concelho do Fundão para a construção de bombos e caixas está inscrito no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, informou a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC).
Por Paulo Pinheiro em 26 de Feb de 2022

“Foi um processo longo, que demorou cerca de seis anos, mas finalmente foi alcançado o objectivo. É um dia muito feliz para concelho”, refere à RCB a vereadora com o pelouro da cultura da câmara municipal do Fundão após a publicação em Diário da República, esta sexta-feira, da inscrição como “salvaguarda urgente” a manifestação da construção dos bombos e caixas no concelho do Fundão.

A “importância da manifestação enquanto reflexo da identidade da comunidade, grupos e indivíduos que a praticam e se encontram associados” e “a importância da sua dimensão histórica social e cultural na área territorial” são alguns dos critérios de apreciação que levaram a Direcção Geral do Património Cultural a tomar a decisão.

 

Um trabalho moroso iniciado pela autarquia fundanense e que contou com o contributo de vários especialistas entre os quais Alberto Sardinha, um dos maiores etnomusicólogos portugueses.

 

A vereadora da CMF, Alcina Cerdeira, destaca a importância da decisão nomeadamente na salvaguarda para as gerações vindouras deste “saber fazer”

 

“A valorização que estão a dar a este património reconhecido neste momento pelo Inventário Nacional e que nos possibilita sobretudo porque é uma inscrição de “salvaguarda urgente” porque se relaciona com as metodologias utilizadas pelos nossos construtores de bombos e das caixas que são tão divulgadas no nosso concelho”.

 

Um concelho onde existem cada vez menos “fazedores” de bombos e caixas e que a inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial vai permitir avançar com um trabalho distinto ao nível da formação deste “modo diferenciador” de fazer bombos em Portugal:

 

“Temos um mais jovem, que é funcionário da câmara municipal do Fundão, que não se dedica exclusivamente à construção dos bombos e caixas e isso vai-nos permitir a realização de um conjunto de acções de formação. Já realizámos uma para 10 inscritos e pelo menos dois continuaram a construir, o que é muito importante para darmos continuidade a este trabalho. A forma como nós construímos os bombos, e é isso que está a ser valorizado, é única em Portugal”, frisa.

O bombo é um dos elementos identitários do concelho do Fundão que levou a Câmara Municipal do Fundão a criar em Lavacolhos a “Casa do Bombo”, um espaço que dá a conhecer a história, tradição e métodos de construção com um espaço oficina.

 

O presidente da junta de freguesia desta aldeia do concelho do Fundão, Paulo Barbosa, não esconde o orgulho com a decisão agora conhecida, que vai valorizar todo o concelho:

 

“Acho que vai dar maior visibilidade a todos e isso é o mais importante. É bom para a Casa do Bombo, para Lavacolhos, mas é bom para o concelho. Temos que ganhar escala e pensarmos todos juntos porque quanto mais conhecido for o nosso território melhor é para todos mais pessoas nos visitam e todos ganhamos. Apesar de haver bombos em todo o lado a nossa construção é única, é nossa!”, destaca o autarca.

Para além dos bombos e caixas do concelho do Fundão também o Bodo de Monfortinho (Idanha-a-Nova) passa a estar inscrito no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, informou a Direção-Geral do Património Cultural.

 


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