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Sábado, 13 Ago 2022
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CULTURA
ACABOU O SILÊNCIO À VOLTA DE ARTURO LEMA
Rádio Cova da Beira
Ainda não se sabe o que terá trazido este castelhano ao Fundão, mas sabe-se, “de ciência certa”, que o foi por amor que por cá ficou, durante 40 anos, e por cá deixou a sua vasta obra, que vai muito para lá da pintura. Na casa onde viveu, no número 15 da Rua João Franco, foi ontem colocada uma placa de homenagem ao “pintor, cenógrafo e projetista”.
Por Paula Brito Batista em 25 de May de 2021

Uma homenagem que vem no seguimento da redescoberta da vida e da obra de Arturo Lema, que o município do Fundão tem vindo a promover, primeiro, com uma exposição dos seus trabalhos, que esteve três meses na Moagem, e agora, com o lançamento do catálogo dessa mostra. Um dia que marcou o fim do silêncio à volta de Arturo Lema, como referiu o presidente da câmara do Fundão, Paulo Fernandes.

 

“É também um dia em que nos podemos sentir melhor, porque neste período de tanta ausência naquilo que é a celebração deste nome maior, podemos dizer que, de hoje para a frente, Arturo Lema não será, nunca mais, um homem do desconhecido.”

 

Um desconhecimento a que Antonieta Garcia se referiu como um “manto de silêncio” incompreensível para a escritora e investigadora, convidada do museu arqueológico municipal para a conversa sobre Arturo Lema, que se seguiu, online.

 

“Depois de ter feito uma obra interessantíssima, podemos gostar mais ou menos de um ou de outro aspeto, mas que, efetivamente, havia ali um saber multidisciplinar, que o levava a mexer em diversos setores. Como é que é possível uma pessoa assim acabar a pintar os números de polícia nas portas das casas do Fundão. Há um manto de silêncio à volta da vida de Arturo Lema, o que é que aconteceu à imprensa que não viu?”

 

Eduardo Saraiva, ainda se recorda, com seis anos, da figura de Arturo Lema no Fundão, “para mim o Arturo Lema era o pintor, casado com a Dona Lurdes, fazia pinturas muito bonitas, quase todas as famílias do Fundão tinham um quadro ou dois do Arturo Lema.” Tal como a maioria dos fundanenses, também Eduardo Saraiva só recentemente redescobriu a obra de Arturo Lema, para lá da pintura, “foi uma surpresa para mim, eu não conhecia o Arturo Lema, fiquei a conhecer o Arturo Lema noutras latitudes, o Fundão deve orgulhar-se de ele ter escolhido o Fundão para viver, ao lado da sua companheira.”  

 

Foi a sua companheira, uma fundanense por quem se apaixonou, que o fez por cá permanecer, durante 40 anos, como descreveu o escritor Fernando Paulouro.

 

“Penso que ele se apaixonou por uma jovem, que é de facto, eu vi o retrato, uma mulher lindíssima e de grande elegância, uma mulher fantástica. Que ele se terá apaixonado por ela, apaixonou-se de certeza, isso sabemos de ciência certa. E depois, apaixonou-se, certamente, pela terra, porque a forma como ele descreve as paisagens visualmente, através do seu cromatismo, como ele percorre as paisagens e as coisas do Fundão, é uma coisa espantosa.”

 

Na pintura, Arturo Lema assina as pinturas, recentemente recuperadas, no altar mor da igreja matriz do Fundão, os painéis da casa do castelo, mas também foi o responsável pelo pano de boca do casino fundanense, como recordou Fernando Paulouro, pelas obras expostas no antigo café Misérias, e por projetos de casas de habitação social, que para a época, seriam futuristas. Exemplos de uma vasta obra que pode ser conhecida através do catálogo lançado pelo município, para trazer à luz do dia este autor de tantas artes, que nasceu na Corunha, em 1874, e morreu no Fundão, em 1956, aos 82 anos.  


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