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Segunda, 30 Nov 2020
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SOCIEDADE
UMA MARCHA MEMORÁVEL
Rádio Cova da Beira
É desta forma que os responsáveis pela plataforma de abolição das portagens na A 23 e na A 25 classificam a adesão das populações â marcha lenta de protesto que decorreu esta sexta-feira e que teve como ponto de encontro a rotunda norte do Fundão à auto estrada da Beira Interior e onde muitas centenas de automobilistas se associaram à reivindicação de uma redução gradual do valor das portagens até à sua abolição definitiva.
Por Nuno Miguel em 20 de Nov de 2020
Para Luís Veiga, porta voz do movimento empresarial “Pela Subsistência do Interior”, a adesão verificada mostrou a região unida em torno desta causa “memorável é a forma como nós podemos definir esta marcha lenta. Foi uma manifestação portentosa daquilo que os beirões são capazes de fazer quando se sentem injustiçados. São dez anos de portagens nunca via onde não deviam ser cobradas porque não temos alternativas. Foram centenas de viaturas que aqui estiveram a demonstrar a força da Beira Interior”.
A expectativa dos responsáveis é que no âmbito da discussão na especialidade do orçamento de estado para 2020 os deputados consigam encontrar uma proposta alternativa à que foi apresentada, de uma redução de 25 por cento a partir da oitava passagem mensal, como sublinha Luís Garra “nós não estamos a pedir nada do outro mundo mas apenas que nos reponham aquilo que já tivemos. E por isso dissemos aos deputados que o governo não quer alterar a proposta mas que eles podem introduzir alterações ao orçamento de estado. Há propostas de abolição e de redução e o apelo que nós deixamos é que encontrem uma solução consensual. Se os deputados se entenderem, muito bem. Se não se entenderem nós cá estamos para continuar a luta”. 
Para Marco Gabriel, porta voz da comissão de utentes da A 23, a participação das populações nesta marcha representa um cartão vermelho à proposta do governo que não serve os interesses da região “todo este processo teve inúmeros avanços e recuos. Primeiro era uma medida para 2020, depois passou para 2021. Depois a intenção era uma redução para todos e depois passou a ser só a partir da oitava viagem. A proposta do governo não serve os interesses de quem aqui vive e trabalha, das empresas que aqui estão localizadas e portanto só há uma solução que é no orçamento de estado discutir-se a abolição ou uma redução significativa dos custos de contexto que as portagens significam para a região”.  
Já o presidente da associação empresarial da Beira Baixa acredita que depois desta iniciativa, a reivindicação da plataforma vai finalmente ser ouvida “nós tínhamos avisado que iriamos engrossar a voz e hoje só não vê quem não quer a revolta das pessoas. É impressionante a quantidade de viaturas que estão nesta marcha porque esta medida está a trucidar o interior. Para além da pandemia, as portagens estão a dar cabo da nossa região e das nossas empresas. Não podemos continuar da mesma forma”  
Mas caso a reivindicação da plataforma não seja atendida pelo governo, José Gameiro admite que a luta pode endurecer “eu acho que ainda somos capazes de ir mais além mas temos esperança que desta vez sejamos ouvidos. Senão podemos cortar a A 23. Eu já falei nisso e está aqui o exemplo daquilo que pode vir a acontecer. Não é tão difícil a partir daqui”
Uma marcha em que também marcou presença o vice presidente da câmara municipal do Fundão. Para Miguel Gavinhos “julgo que perante aquilo que são as intenções do governo é preciso tomar outras medidas e não podemos excluir nenhuma. Se temos taxas municipais para a utilização do subsolo para as infraestruturas de telecomunicações, porque não pensar na taxação do atravessamento de uma autoestrada e dos impactos que tem do ponto de vista turístico, económico e ambiental. Aquilo que aconteceu a esta região foi um vírus que chegou há uma década e é preciso haver uma união entre todos porque aquilo que vemos é que as portagens que são pagas nesta região estão a servir para projectos que neste momento estão em cima da mesa entre o governo e o IMT para conseguirem que os passes modelares do metro e dos transportes em Lisboa também cheguem aos táxis. Isto chegou a um ponto que já se considera escandaloso”.
Quem também se associou a esta iniciativa foi Marisa Matias. A candidata à Presidência da República sustenta que “a proposta apresentada pelo governo não é suficiente. Há circunstâncias em que não se pode pedir às pessoas que paguem ainda mais o custo da interioridade. É por isso que existem serviços públicos, é para isso que pagamos impostos e devíamos estar a trabalhar para que as pessoas não sejam duplamente penalizadas. Continuamos a ter um país muito desigual que precisa de coesão social e territorial. Precisamos de investir e muito nas redes de transportes e nas ligações em todo o país e garantir que há vias de circulação iguais para toda a gente e com igualdade de acesso. E se as pessoas que vivem no interior não tiverem vias de qualidade ou, quando elas existem, tem de pagar mesmo sem alternativas estamos a falar numa situação de muita desigualdade”. 

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