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CULTURA
CRIPTOJUDAÍSMO DE BELMONTE É UMA MARAVILHA DA CULTURA POPULAR
Rádio Cova da Beira
A candidatura de Belmonte, do Criptojudaísmo, foi uma das sete mais votadas na final do concurso "7 Maravilhas da Cultura Popular" em Portugal, que decorreu em Bragança.
Por Paulo Pinheiro em 06 de Sep de 2020

Repescada da final distrital, onde ficou em segundo lugar atrás da Covilhã (Feira de São Tiago),  que decorreu em Penamacor, a candidatura de Belmonte, do Criptojudaísmo, foi a quarta a ser anunciada este sábado à noite, no decorrer da final nacional das "7 Maravilhas da Cultura Popular", que teve como anfitrião o município de Bragança. 

 

 Sobre o Criptojudaísmo:

 

 

Após o édito de expulsão de D. Manuel e o estabelecimento da Inquisição, na Vila continuou a viver uma comunidade judaica em segredo até à sua “descoberta” no início do século XX, mas em total conivência com a restante população.

 

 

Estes Filhos de Israel isolados de restantes comunidades e em segredo mantiveram os costumes principais do Judaísmo até ao presente, subsistindo numa comunidade fechada, havendo muitos casamentos entre eles, na qual as mulheres se encarregaram da preservação, manutenção e passagem das tradições, sem sinagoga, com recurso a poucos livros e objectos sagrados, sendo sobretudo através da via oral.

 

Isto originou que se perdesse o uso do hebraico e muitos dos ritos religiosos, mas a base religiosa do judaísmo foi mantida. Estes judeus são chamados de criptojudeus ou “marranos” numa alusão à proibição ritual de comer carne de porco. Estes continuavam com o hábito de acender uma vela na sexta ao pôr do sol, mas em potes de barro, guardavam o sábado (Shabbat), tinham casamentos e funerais cristãos, mas também os celebravam em casa segundo a sua religião. Mais de 500 anos em contacto com o catolicismo originou também que muitas das suas orações se misturassem, a referência a santos é exemplo dessa mistura.

 

Desde 1989, altura em que se fundou a Comunidade Judaica de Belmonte que estes se encontram em processo de retorno ao judaísmo primitivo, têm sinagoga, rabino, cemitério, mas séculos de convivência em segredo não se apagam facilmente, em Belmonte ainda se sentem criptojudeus!

 

“A comunidade criptojudaica de Belmonte é uma marca intemporal, histórica e identitária de Belmonte, que enfrentaram séculos na perpetuação da sua religião, pelo orgulho de ser judeus”, refere o município.

 

Não raras vezes Belmonte é chamada a “terra dos judeus”, motivo que enche de orgulho toda uma comunidade. Desde 2005 que em Belmonte existe o Museu Judaico de Belmonte, como forma de homenagear os criptojudeus da Vila, sendo este visitado por visitantes de todo o Mundo.

 

A Feira de São Tiago, da Covilhã, vencedora da final distrital, ficou no lote das 14 finalistas do evento.


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