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Domingo, 25 Out 2020
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CULTURA
FEIRA DE SÃO TIAGO NA FINAL DAS "7 MARAVILHAS DE PORTUGAL"
Rádio Cova da Beira
BeiraA Feira de São Tiago, da Covilhã, um dos 14 patrimónios que vão estar presentes na final do concurso "7 Maravilhas da Cultura Popular" .O passaporte foi obtido este domingo, em Torres Novas, na segunda semi-final. A final decorre em Bragança, no dia 5 de Setembro de 2020.
Por Paulo Pinheiro em 30 de Aug de 2020

A Feira de São Tiago é uma das mais antigas da Península Ibérica. Realiza-se na Covilhã há 608 anos, sendo a edição deste ano a 609º.

Foi D. Afonso III, por carta régia de 1260 que ficou a constituir a carta tipo das feiras medievais portuguesas, que concedeu à Covilhã o privilégio de ter sido das primeiras vilas do reino a ter direito a fazer feira anual nos seus domínios. Mas é já no reinado de D. João I que vamos encontrar a cédula de nascimento da Feira de S. Tiago, que tinha o seu dia festivo a 25 de Julho. É concretamente a 27 de Maio de 1411 que, por carta outorgada por D. João I, este concede à Covilhã uma feira franqueada anual, com a duração de vinte dias pelo S. Tiago, devendo começar dez dias antes e acabar dez dias depois da festa do santo apóstolo.

A feira começou por ter lugar no adro da antiga Igreja de S. Tiago, onde se transacionavam os panos de lã meirinha, os fiados de seda, de algodão, de lã, e de linho; os buréis e as mantas; os panos baixos e grossos. A par destes artigos da indústria de lã, e de outros que a ela afluíam vindos de outras paragens como as vergas, os vimes ou a olaria, havia um produto caraterístico da época, muito comercializado nesta feira – o queijo picante, ou queijo queimoso, como vulgarmente é chamado. Este produto comercializava-se ali em tal quantidade, que há citações referentes à Feira de S. Tiago como a feira do queijo.

É por volta de 1870 que a Feira começou a sofrer alterações. Demolida a Igreja de S. Tiago, em 1875, a feira foi transferida para o Largo D. Maria Pia, onde se situa atualmente o jardim público. Foi neste local que se manteve durante décadas, sempre a crescer e a dar nome à “notável vila da Covilhã, uma das vilas mais importantes do reino pela sua população e riqueza”.
Mais tarde, por volta do final dos anos 30 do século XX, a feira tinha atingido um desenvolvimento tal, que o Largo D. Maria Pia começou a ser pequeno para todos os feirantes que disputavam o seu espaço. Assim, a feira foi transferida para o antigo campo de futebol, posteriormente chamado “campo das festas”, onde a feira conheceu o seu maior fulgor.

O auge da feira seria atingido quando, conjuntamente com a Feira de S. Tiago, se fez no jardim e Avenida Frei Heitor Pinto, a feira popular do Sporting Clube da Covilhã. Foram anos inesquecíveis em que a cidade recebeu as maiores estrelas do fado e da canção nacionais, tendo ficado na memória de todos um célebre concerto de Amália Rodrigues.
Os mais antigos recordam com saudade o tanque dos gasolinos, o primeiro carrossel, os primeiros aviões, a primeira pista de carrinhos elétricos e as afamadas farturas. Na época, os vinte dias da Feira eram o grande acontecimento social dos covilhanenses, que transformavam a Feira num autêntico picadeiro.

Entretanto, a Feira foi perdendo força. Nos anos 80 foi para os terrenos do Parque Industrial, e mais tarde, associou-se à Covifeira – Feira Agrícola, Comercial e Industrial da Covilhã. Nos anos 90, o Município da Covilhã apostou no retomar desta tradicional Feira multisecular deslocando-a para o novo Complexo Desportivo, onde se realiza ainda hoje.

O cantor José Cid é o padrinho da candidatura. 


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