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PARA ONDE VAIS PORTUGAL?
Rádio Cova da Beira
A população nacional caiu em 86% dos concelhos desde 2011. Os que conseguiram ganhar habitantes localizam-se, maioritariamente, à volta de Lisboa e Porto. Nos últimos oito anos a Beira Interior perdeu 29.255 habitantes. Os números, analisados pelo responsável do Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social (ODES) da UBI, revelam um país a caminho da extinção, a começar pelo interior.
Por Paula Brito em 15 de Jul de 2020

“Ou se investe fortemente nos próximos tempos nos cerca de 80% dos municípios do interior através da criação de um ‘FEDER’ específico para estas regiões ou não tarda nada teremos 20% do país a crescer, todo no litoral e à volta das 2 maiores cidades, e teremos uma imensa coutada de caça nos restantes 80% do interland. Que alguém nos acuda enquanto é tempo…” Refere José Pires Manso, na sua análise à evolução da população entre 2011 e 2019, com base nos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

 

Nos últimos oito anos, Portugal perdeu cerca de 246,5 mil habitantes, o que corresponde a uma redução de 2,34% na população do país, segundo as estimativas do INE para 2019. Em 264 municípios (85,7% do total) o número de residentes diminuiu. Os concelhos que registaram as maiores descidas no número de habitantes (em termos percentuais) localizam praticamente todos no interior, “fazendo quase uma faixa ao longo da fronteira com Espanha.”

 

Das 18 capitais de distrito de Portugal continental, apenas os concelhos de Aveiro e Braga registaram aumentos "insignificantes" da população, de 0,8%, no caso de Aveiro e de 0,3% em Braga.  Nos restantes distritos, todas as capitais sofreram perda de habitantes, com destaque para Portalegre, cuja população diminuiu 9,9%, e Guarda, 7,5%.

 

O caso mais dramático é o de Alcoutim, com uma redução de 23,3% no número de habitantes.

 

A Beira Interior, entendida como todos os municípios dos Distritos de Castelo Branco e Guarda, entre 2011 e 2019, perdeu 29.255 habitantes, o que corresponde a uma redução de 8.3% da população da região, segundo as estimativas do INE.

 

A população diminuiu nos 26 municípios, sendo que as maiores descidas, superiores a 15%, registaram-se nos concelhos de Almeida e Idanha a Nova. Seguem-se Penamacor (-14,9%) e Sabugal (-14,3%).

 

A estes, junta-se uma segunda faixa menos raiana e mais interior mas, com taxas de variação muito parecidas, constituída por municípios como: Aguiar da Beira (-14%), Manteigas (-11,6%), Oleiros e Proença a Nova (-11,4%), Gouveia (-10,8%) Pinhel e Meda (-10.4%), Vila Velha de Ródão (-10%), Vila Nova da Foz Côa (-9.9%), Trancoso (-9.6%), Celorico da Beira (-8.9%) e Fornos de Algodres (-8.8%).

 

Pires Manso define estas duas faixas como “asfixiantes”, na medida em que “impedem estes concelhos de respirar e de sustentar os seus habitantes”. O responsável pelo ODES, destaca ainda um terceiro grupo de concelhos, que vêm depois as capitais de distrito, é o caso de Seia, que registou, entre 2011 e 2019, uma perda de 9.12% da população, seguida da Covilhã (-8.61%), Fundão (-8.45%), Guarda (-7.49%) e Castelo Branco (-6.5%).

 

Os concelhos que menos população perderam, na Beira Interior, foram Belmonte (-6%) e Vila de Rei (-4,24%).

 

Por curiosidade, o concelho com menos habitantes do país, registou a sexta maior subida. O Corvo, nos Açores, registou um incremento da população de 7,7%.

 

“Quo Vadis Portugal? Quo Vadis Beira Interior?” (Para onde vais Portugal? Para onde vais Beira Interior?) questiona Pires Manso no título que dá à sua análise aos números da população portuguesa. 


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