RCB/TuneIn
Domingo, 12 Jul 2020
PUB
UBI
CIMD Cabecalho
CULTURA
MONSANTO: MORREU O MÚSICO VITOR REINO
Rádio Cova da Beira
O fundador dos Grupos de Música Popular Portuguesa, Ronda dos Quatro Caminhos e Maio Moço, músico, psicólogo e investigador Vítor Reino, morreu na "noite de sexta-feira para sábado", em Almada, disse este domingo à Lusa fonte da Associação Nacional para a Inclusão dos Cidadãos com Deficiência Visual, à qual o músico pertencia. O funeral realizou-se hoje em Vales de Flores(Feijó) Almada.
Por Miguel Malaca em 25 de May de 2020

Vitor Reino, era natural da aldeia de Monsanto, no concelho de Idanha-a-Nova, onde nasceu, em 1956. O músico destacou-se na recolha, divulgação e recriação de tradições musicais portuguesas, tendo promovido a criação de grupos como Almanaque, Ronda dos Quatro Caminhos e Maio Moço.

Cego desde a infância, era formado em Psicologia, pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação de Lisboa, sendo autor de uma obra de investigação na área das deficiências visuais.

O seu curriculum musical surgiu a partir de 1974, primeiro como orientador e intérprete de projetos ocasionais, depois com o propósito de uma abordagem mais sistematizada da música tradicional portuguesa, a que os primeiros grupos, Almanaque e Ronda dos Quatro Caminhos, deram forma.

Com os Maio Moço, fundado em 1985, Vítor Reino e os músicos que o acompanhavam construíram uma discografia premiada, que envolve álbuns como "Inda Canto Inda Danço", com danças de raiz popular, "Amores Perfeitos", sobre poemas de autores como Camões e Fernando Pessoa, "Estrada de Santiago", viagem musical pelo país, e "Canto Maior", reunião de romances, danças, cantigas infantis, de trabalho, de amor e de matriz religiosa, de inspiração tradicional.

 

Com "Cantigas de Marear", uma abordagem do mar e dos Descobrimentos, no cancioneiro tradicional português, o grupo Maio Moço venceu o Grande Prémio do Disco, da Rádio Renascença, em 1989.

 

Vitor Reino trabalhou ainda na recolha etnomusical com o investigador José Alberto Sardinha, promoveu registos de campo, em diferentes regiões do país, publicou ensaios sobre o património musical português, e promoveu a notação musicográfica em partitura, de canções e melodias recolhidas.

O beirão resgatou ainda o uso de instrumentos tradicionais, muitos deles quase desconhecidos e em extinção, como o rajão, a viola de arame e a viola toeira, que combinou com instrumentos e formações clássicas, como o oboé e o quarteto de cordas, no contexto de recriação da música tradicional portuguesa.

Como psicólogo e funcionário do Ministério da Educação, desde 1983, trabalhou no Centro de Recursos para a Deficiência Visual e interveio na formação de professores do Ensino Especial, e fez ainda parte da Comissão de Leitura para Deficientes Visuais, que o elegeu em 1998 representante na Comissão de Braille.

Vitor Reino faleceu com 64 anos, e não são conhecidas, para já. as causas da sua morte. 

 

 

 


  Redes Sociais   Facebook

2007—2020 © Rádio Cova da Beira

Todos os direitos reservados