RCB/TuneIn
Segunda, 06 Abr 2020
PUB
UBI
CIMD Cabecalho
SOCIEDADE
EUTANÁSIA EM DEBATE NA RCB
Rádio Cova da Beira
O médico Lourenço Marques considerou extemporâneo o debate sobre a despenalização da morte assistida, num país com uma cobertura apenas de 30% de cuidados paliativos. O dirigente do BE na Covilhã e assistente social, teme que a burocracia impeça a aplicação da lei. Ambos estão preocupados com as famílias.
Por Paula Brito em 24 de Feb de 2020

“Avançarmos com a eutanásia sem termos a cobertura dos cuidados necessários nesta área é extemporâneo, porque a morte antecipada não é metafisica tem a ver com fatores psicológicos, sociais, espirituais e a medicina avançou nesse sentido.” Lourenço Marques entende que os deputados na assembleia da República deveriam estar mais preocupados em defender uma rede de cuidados continuados completa.

 

O médico diz que se recusaria a trabalhar num hospital que praticasse a eutanásia e que a experiência de 30 anos nos cuidados paliativos lhe diz que, desde que haja o acompanhamento em todas as áreas, medicina, social, familiar e espiritual, as pessoas não pedem para morrer.


 

Rui Lino, assistente social, dirigente do Bloco de Esquerda na Covilhã, explicou porque é defensor da despenalização da morte assistida. “A mim não me parece muito correto podermos exercer o direito de podermos fazer escolhas ao longo da nossa vida, e depois com o aproximar do fim da nossa vida, esse direito ser-nos vedado.”

Rui Lino vê ainda na burocracia uma necessidade, uma vez que o processo tem que obedecer a vários requisitos e momentos, mas também um entrave, “é que na maior parte das situações vão acabar por morrer antes de aceder à eutanásia”.

 

Há uma questão que preocupa ambos, e que tem a ver com a família. “Nós estamos formatados para que a vida acabe de determinada maneira, com a eutanásia as famílias vão ser confrontadas com um novo paradigma de fim de vida, e aqui reside um problema que não está contemplado em nenhum projeto de lei que é o investimento necessário para o acompanhamento familiar.”  Conclui Rui Lino.

 

Aprovados os cinco projetos de lei sobre a despenalização da morte assistida, é preciso encontrar um texto único que sirva de suporte à legislação, que tem que voltar ao Plenário, e daí, para o Presidente da República que pode promulgar, vetar ou enviar para o Tribunal Constitucional. Até lá, os defensores do referendo tentam recolher as 60 mil assinaturas necessárias para que a população seja consultada.


  Redes Sociais   Facebook

2007—2020 © Rádio Cova da Beira

Todos os direitos reservados