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Segunda, 06 Abr 2020
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SOCIEDADE
A PERMANENTE INQUIETAÇÃO DOS MEDIA
Rádio Cova da Beira
Com uma média de 200 notícias por dia e redações cada vez mais reduzidas, os media vivem numa ansiedade informativa, que aumenta a desconfiança e aprofunda o mediatismo e o sensacionalismo. Uma inquietação permanente que, segundo Paulo Pena, destrói o jornalismo.
Por Paula Brito em 21 de Feb de 2020

“Os jornais publicam demasiadas notícias, eu fiz as contas, um jornal português, como o Público, o DN ou o Expresso, etc…, publicam 200 notícias por dia, feitas com cada vez menos gente, fazem alertas no telemóvel e dizem que fazem jornalismo 24 horas por dia, sete dias por semana, isso resulta numa ansiedade informativa que destrói o jornalismo”.

 

O jornalista do Diário de Notícias (DN) falava no segundo encontro de ciberjornalismo académico, que se realizou na Universidade da Beira Interior, inserido nas comemorações do vigésimo aniversário do Urbi et Orbi.

 

“Os velhos deuses já não interessam e os novos ainda não têm nenhum papel.” A frase, no entender do jornalista, retrata bem o atual momento dos media em Portugal. “Os velhos deuses, os media tradicionais, olham para as grandes plataformas, como o Google e o Facebook, como uma espécie de salvadores do modelo de negócio que estava já em crise há muito tempo, que era haver pessoas que queriam comprar e ler o jornal e empresas que queriam anunciar naquele jornal.”

 

Um modelo de negócio em que a publicidade é medida pelo número de cliques, independentemente do conteúdo a que está associada. “A publicidade direcionada hoje, vive apenas do acesso, dos cliques, do número e não quer saber se está a anunciar num site de informação ou de desinformaçãpo”.

 

O jornalista, autor do livro "Fábrica de mentiras: viagem ao mundo das fake news", resultado de um trabalho de investigação sobre o tema, explicou o que move os autores dos sites de fake news, que entrevistou ao longo da investigação. “Quase todos dizem que fazem esses sites, porque a informação que recebem dos media é má, imparcial e não chega, mas os leitores da desinformação, que são milhões em Portugal, também pensam exatamente o mesmo do que pensam dos sites de informação e de desinformação porque os recebem na mesma plataforma, sem distinção.”

 

Segundo Paulo Pena, hoje os media vivem deslumbrados com os algoritmos e o jornalismo demitiu-se de tratar alguns temas fundamentais para o nosso futuro, e deixa alguns exemplos. “A segmentação demográfica e o papel que ela tem na política, a importância da seriação que os algoritmos fazem na nossa vida, o valor que a nossa privacidade tem, os jornais olham para isto de uma forma deslumbrada, com aquela ideia que os algoritmos e a tecnologia é uma coisa fantástica e facilita tudo.”

 

A esperança está nas redações académicas dos jornais universitários, alguns dos quais estiveram presentes no segundo encontro de ciberjonalismo académico. “A minha esperança é que o ciberjornalismo académico seja capaz, como não estão a ser os media tradicionais, de entender, que esta relação complexa, que o jornalismo tem num mundo criado e dominado pelas plataformas, é o fator essencial. O meu desejo é que vocês sejam capazes de  agregar toda a gente que sabe mapear este mundo, sejam jornalistas especialistas em tecnologia, hackers, open source intelligence, para mostrar às pessoas que a informação tem um valor e que esse valor é socialmente indispensável.”

 

Uma palavra de esperança no futuro dirigida aos jornais universitários on line presentes no segundo encontro de ciberjornalismo académico, que este ano se realizou na Universidade da Beira Interior.


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