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Domingo, 08 Dez 2019
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SOCIEDADE
FUNDADOR DA UNIDADE DE DOR PÕE DEDO NA FERIDA
Rádio Cova da Beira
Faz hoje 27 anos que foi criada, no hospital do Fundão, a primeira Unidade de Cuidados Paliativos do país, na altura designada Unidade de Dor. Passadas quase três décadas, apenas um terço do país está coberto com este tipo de cuidados, mal amados pela medicina.
Por Paula Brito em 20 de Nov de 2019

Quando foi criada a primeira Unidade de dor do país, no Fundão, Portugal partia já com 25 anos de atraso em relação à Inglaterra. Passados 27 anos, o fundador da unidade no hospital do Fundão diz que o atraso mantém-se.

“Nós não temos avançado muito, relativamente a esta referência, isto é, continuamos com atraso de 25 anos. Nós estamos com uma cobertura à volta de 30%, no internamento, domicílio, ou onde o doente estiver.”

Para António Lourenço Marques, continua a haver, na região e no país, dificuldades em encaminhar os doentes para estes cuidados.

“A dificuldade vem do facto de continuar a haver dificuldade nas faculdades de desenvolver este tipo de ensino e, depois, continuamos a ter um modelo virado para a cura, não integrando os cuidados para tratar sintomas do doente, dar conforto ao doente, dar respostas psicológicas, sociais e espirituais, isto está muito pouco desenvolvido, temos que o dizer.”

Para o médico e fundador da unidade de cuidados paliativos do Fundão, pode haver uma relação entre esta chegada tardia dos doentes aos cuidados paliativos e o aumento de mortes por morfina e opiáceos, em tratamentos.

“O que parece que está a acontecer é que se estão a identificar casos em que a morfina utilizada em contexto de doenças, estaria a ter um efeito secundário que seria a morte. Isso só pode significar uma coisa, ela está a ser mal utilizada, ou porque os doentes chegam tardiamente aos tratamentos, ou então, mesmo doentes que possam ter acesso mais imediato, haver praticas menos corretas deste tipo”.

Lourenço Marques, o fundador da primeira Unidade de Cuidados Paliativos do país, um projeto pioneiro criado no hospital do Fundão há 27 anos. 


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