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Segunda, 23 Set 2019
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SOCIEDADE
A “REVOLTA” DOS ABUTRES
Rádio Cova da Beira
De necrófagos a predadores. Falta de alimento está a transformar os abutres em predadores e a dizimar rebanhos. As queixas dos agricultores são muitas, mas no Instituto de Conservação da Natureza e Florestas ainda ninguém acredita que a natureza se adapta e que a sobrevivência é lei, no reino animal.
Por Paula Brito em 04 de Sep de 2019

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Rui Mónica é engenheiro agrícola e tem uma exploração no concelho do Fundão, onde já perdeu mais de 60 cabeças de gado para os abutres.

“Neste momento, estas aves estão a atacar os rebanhos e estão a matar ovelhas robustas, com uma excelente condição corporal, não moribundas, tem a ver com um défice alimentar dessas aves necrófagas que fez com que elas se adaptassem a outro tipo de sobrevivência.”

Esta alteração fica a dever-se à falta de cadáveres que passou a existir com a obrigatoriedade de retirar os animais mortos dos campos, devido à doença das vacas loucas.

“As aves necrófagas deixaram de ter cadáveres para se alimentar. Desde há uma década que estas aves se foram adaptando, e a falta de alimento fez com que elas, de passivos passassem a activos, ou seja, de necrófagas passaram a predadoras.”

Um relato na primeira pessoa, que se multiplica pela região, e que até agora não tem tido eco das entidades competentes, como o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas que ainda está incrédulo com a mudança de alimentação dos abutres.

“Andam a tapar o sol com a peneira, a tentar camuflar, porque ainda não há um vídeo de uma ave em cima de uma ovelha viva. Porque alguém do ICN-F não quer acreditar nos relatórios que os vigilantes da região têm feito.”

Uma situação que está a tornar-se devastadora para os produtores de gado e para o pastoreio, tal como ele acontece há milhares de anos.

“Estamos a falar de animais que andam no seu pastoreio normal, em regime extensivo, se alimentam e sobrevivem e agora, querem incutir-nos uma nova forma de maneio alimentar, perante os ataques que estamos a ter, é ridículo”.

Uma das soluções seriam os campos de alimentação que não podem ser os produtores a criar, mas neste momento, segundo Rui Mónica, o ICN-F nem sequer está sequer a dar resposta à tutela que “está, por seu lado, a ser permissiva com este silêncio”.


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