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Quinta, 27 Jun 2019
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SOCIEDADE
AS DROGAS MATAM
Rádio Cova da Beira
A mensagem √© curta, dura, mas clara. A toxicodepend√™ncia √© uma doen√ßa que mata, e a melhor forma de a combater √© ter conhecimento das suas implica√ß√Ķes no c√©rebro, na sa√ļde e na vida.
Por Paula Brito em 01 de Jun de 2019

A ideia deixada por Manuela Grazina, investigadora na faculdade de medicina da Universidade de Coimbra, convidada dos encontros de saúde que deram o pontapé de saída aos colóquios da cereja que decorrem durante dois dias na Moagem.  

“Um grande erro no tratamento das dependências foi, durante muitos anos, se achar que um toxicodependente podia deixar de o ser só porque alguém dizia. O toxicodependente é um doente e fica dependente, precisamente porque não consegue deixar. A liberdade está, não em deixar mas em começar ou não, neste caso em não começar, porque é quando o cérebro ainda é capaz de decidir. Porque depois de ficar dependente a capacidade de decisão fica absolutamente comprometida”. 

Trata-se de uma doença do cérebro, que tem influência genética, dá lesões no cérebro, psicose e mata, lenta ou rapidamente.

“A heroína mata muito porque é metabolizada no nosso corpo por uma enzima e transforma-se em mais duas substâncias, como a morfina, e a morfina ainda se transforma em mais duas ou três, e todas elas vão agir no cérebro, sempre com maior poder de alterar o cérebro, por isso é que mata.”

Manuela Grazina explica de que forma afecta também o cérebro o consumo continuado de canábis. “Altera a nossa capacidade muscular de controlar as necessidades fisiológicas e por outro lado, como interfere no nosso centro de controlo da dor, e é usada muitas vezes, o nosso organismo não está preparado para ter dor permanente, ou seja, quando a pessoa tenta deixar já não consegue porque tem dor permanente.”

O melhor é nunca experimentar, porque “depois das drogas se instalarem já ninguém faz o que quer, e quando alguém diz que deixa quando quiser, que se sente bem, mais divertido e bem-disposto e deixa quando quiser, é quando já não consegue deixar.”

O melhor é sempre a informação, refere Manuela Grazina, já que é o conhecimento que dá liberdade de escolha e aumenta a responsabilidade.


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