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Terça, 18 Jun 2019
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SOCIEDADE
DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO DA REGIÃO EM DEBATE
Rádio Cova da Beira
João Leitão defende a criação de uma rede regional de «clusters» que permita criar uma maior competitividade económica dos territórios do interior do país. A ideia deixada pelo docente da universidade da Beira Interior durante a conferência a central de balanços do Banco de Portugal promover naquela instituição de ensino superior e em que o dinamismo do sector empresarial da região centro foi o principal tema em foco.
Por Nuno Miguel em 24 de May de 2019

De acordo com João Leitão “não é realista pensar que um conjunto de políticas possa tornar todos os «clusters» regionais bem sucedidos. E por isso há necessidade de promover redes regionais de «clusters» que não impliquem apenas a concentração espacial geográfica dessas actividades, nomeadamente as de especialização central e as de suporte, mas sim a coopetição empresarial entre distritos de cogumelos industriais que estejam mapeados ao nível das NUT II”   

 

Mas para além dessa aposta, o docente da UBI defende ainda que existe “uma necessidade efectiva de ampliar o número de distritos industriais. Desde o estudo de Michael Porter, em 1992, verificamos que Leiria perdeu dois «clusters» Aveiro ganhou quatro, Castelo Branco perdeu dois e ganhou uma iniciativa de mobilização de «clusters» mas que não é um verdadeiro «cluster» e estou a falar do sector agro-industrial. O distrito de Coimbra ganhou um e perdeu também um, Viseu perdeu dois, o distrito da Guarda continua sem ter nenhum e Santarém ganhou um. Como é fácil de ver o jogo é claramente de resultado negativo. Perdemos densidade e capacidade de concentração e especialização”.   

 

Apesar de reconhecer que há ainda medidas que devem ser estimuladas para estimular a economia da região, Ricardo Pinheiro Alves, do gabinete de estratégia e estudos do ministério da economia, sublinha que já existem vários casos de sucesso, deixando como exemplo o caso da cereja do Fundão “quando eu vivi na Covilhã há dez anos não se falava da cereja do Fundão enquanto marca e hoje em dia vendem-se cerejas do Fundão no país todo. Se calhar é um bom exemplo daquilo que é o aproveitamento dos recursos endógenos e isso faz todo o sentido. Olhando para os números, pode constatar-se que existiram algumas partes da região que sempre foram altamente industrializadas em termos históricos, como é o caso da Covilhã, onde houve empresas que fecharam porque não se souberam modernizar mas houve outras que continuam a investir na inovação e mantiveram-se”.

 

Outra das temáticas em cima da mesa foi a necessidade de reforçar a capacidade de atrair novos investimentos para a região. Uma tarefa que de acordo com Luís Reis, do AICEP, não é fácil de concretizar enquanto não existir uma estratégia regional nesse sentido “precisamos que em todo o território os autarcas e os outros «players» que são fundamentais para atrair mais investimento se alinhem, percebam que estamos num mercado global e precisamos de ter estratégias que nos apresentem com outra força nos mercados externos porque ao nível dos pequenos municípios e territórios é muito difícil posicioná-los como potenciais localizações para a atracção de investimento.


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