RCB/TuneIn
Domingo, 26 Mai 2019
PUB
UBI
CIMD Cabecalho
SOCIEDADE
COVILHÃ: IMPORTÂNCIA DO TÊXTIL LEVOU À ESPECIALIZAÇÃO DA JUSTIÇA
Rádio Cova da Beira
A importância económica evidenciada pela Covilhã com a pujança do sector têxtil na primeira metade do século XIX foi um dos motivos para que fosse então uma das primeiras vilas do reino a ter um tribunal de comércio especializado. A ideia deixada pelo juiz presidente do tribunal da comarca de Castelo Branco no decorreu de uma conferência subordinada ao tema “os negociantes de lanifícios e a justiça”, que decorreu no museu de lanifícios da UBI, no âmbito das comemorações do dia internacional dos monumentos e sítios.
Por Nuno Miguel em 20 de Apr de 2019
José Avelino Gonçalves sublinha que essa importância estava bem patente em situações como a existência do banco da Covilhã ou a fundação da associação fabril e mercantil e por isso a justiça decidiu também começar a especializar a sua actividade devido à importância económica que a então vila tinha para o reino “ao recuar à primeira metade do século XIX a Covilhã era uma das vilas mais ricas de todo o reino e onde vivia mais gente. E todo esse dinheiro, o comércio associado aos têxteis e até a fundação do jornal «Comércio da Covilhã” levou a que a justiça tivesse de ser especializada para a resolução deste tipo de casos que eram muitos e complexos. Desde logo a começar pela questão dos árbitros que assessoravam os juízes, como era o caso de Mendes Veiga, que era uma das pessoas mais influentes em todo o sector dos lanifícios. E isso justificou, primeiro, a criação do tribunal do comércio e pouco tempo depois a Covilhã acabou mesmo por ser elevada a cidade”.   José Avelino Gonçalves acrescenta que todos os processos relacionados com a área dos têxteis assumiam alguma complexidade e na sua grande maioria estavam centrados em duas actividades ilegais; o roubo de lãs e o contrabando “eram processos complexos e havia uma grande fiscalização porque ou se apanhava o almocreve ou o contrabandista ou então não se chegava lá. E a actividade dos contrabandistas era benéfica, entre aspas, para algumas pessoas que queriam comprar tecidos mais baratos embora essa actividade possa arrombar qualquer economia. E por isso a atenção das autoridades administrativas e até do próprio tribunal em condenar com mão pesada algumas situações. Houve casos de indivíduos envolvidos em processos de roubo de lãs e que na altura foram condenados ao degredo que era a pena mais pesada que se podia atribuir logo após a abolição da pena de morte”. 
A realização desta conferência deu o pontapé de saída para a exposição documental “a justiça e os lanifícios na Covilhã”, que vai estar patente ao público até dia 26 de Maio no museu dos lanifícios da universidade da Beira Interior.

  Redes Sociais   Facebook

2007—2019 © Rádio Cova da Beira

Todos os direitos reservados