RCB/TuneIn
Terça, 20 Ago 2019
PUB
UBI
CIMD Cabecalho
CULTURA
FUNDÃO: MUSEU EVOCA FUNDADOR
Rádio Cova da Beira
Museu Arqueológico José Alves Monteiro dedicou o dia de aniversário ao fundador, colocando uma placa de homenagem na rua da cale, onde nasceu, há 129 anos, o arqueólogo, etnógrafo, investigador, jurista, magistrado e fundador do museu municipal do Fundão.
Por Paula Brito em 27 de Feb de 2019

Foi na mais emblemática rua da cidade que nasceu, em 1890, um dos maiores vultos da história da cidade, que chegou a dar o nome àquela artéria como recorda Ana Maria Crespo à RCB.

Moradores daquela rua, ainda se lembram do tempo em que era conhecida como rua José Alves Monteiro, como recorda à RCB, Ana Maria Crespo.

“Já havia quem lhe chamasse rua da cale, mas o nome verdadeiro da rua era Dr. José Alves Monteiro, mesmo as cartas de correio era assim, eu morava na rua José Alves Monteiro, nº 72.”

No actual número 71 está, a partir de agora, a placa de homenagem a José Alves Monteiro cuja memória foi evocada por José Travassos, numa sessão informal, que decorreu no Café Aliança.

“O Dr. José Alves Monteiro conhecia as aldeias todas do Fundão, era uma pessoa muito extrovertida, estava muitas vezes na esplanada do café nacional e gostava muito de conversar com toda a gente, sobretudo com os jovens. Foi ele que começou a coleccionar os achados arqueológicos e foi ele que procurou, nos baixos do casino, numa sala que estava ali livre, criar o primeiro museu.”

Uma sessão onde também se ouviram poemas de José Alves Monteiro e até uma lenda, numa faceta mais desconhecida deste “fundanense de gema”, como explicou o director do museu, Pedro Salvado.

“É uma faceta muito interessante, que foi a reconstrução erudita do fundo lendário local, ele foi às lendas locais e transforma-as de forma erudita, com novas metáforas, mas remete sempre para a geografia e fundo lendário do Fundão, como a lenda do Gargana, do convento.”

José Alves Monteiro também deixou o registo e mais de 130 pautas de canções recolhidas nas aldeias do Fundão, compiladas num livro onde está a primeira pauta da moda do bombo de Lavacolhos. Seis dessas pautas foram trabalhadas por António Supico e André Oliveirinha que à RCB fala do desafio que foi tocar e cantar músicas tradicionais, recolhidas nos anos 20 do séc. XX, sem as influências de quase um século.

“Foi interessante perceber como é que estas pautas que foram recolhidas, a etnomusicologia conhecida actualmente tem todo o século XX de influência, e estas pautas foram recolhidas na primeira pessoa, junto de pessoas que viveram nos finais do séc. XIX, inicio do séc. XX. Pode ser interessante fazer a revisão de todas estas pautas.”

O desafio foi deixado pela vereadora com o pelouro da cultura, na câmara do Fundão, Alcina Cerdeira.

“Os temas são conhecidos da nossa música tradicional, mas a forma como ele os colocou aqui, como os ouviu e reproduziu, seria importante devolvê-los de novo à nossa comunidade, porque tenho a certeza que esta recolha não foi em vão.”

Tal como a recolha feita por José Alves Monteiro, que há mais de 75 anos, e que deu origem ao actual museu arqueológico municipal.


  Redes Sociais   Facebook

2007—2019 © Rádio Cova da Beira

Todos os direitos reservados