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Domingo, 25 Ago 2019
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CIMD Cabecalho
POL√ćTICA
SNS EM DEBATE NA COVILH
Rádio Cova da Beira
O presidente do sindicato dos enfermeiros portugueses considera que as dificuldades sentidas pelas popula√ß√Ķes no acesso √† rede de cuidados de sa√ļde s√£o o resultado de d√©cadas de desinvestimento por parte dos sucessivos governos neste sector. A afirma√ß√£o feita no decorrer de um debate sobre o actual estado do SNS e que foi promovido pela uni√£o de sindicatos de Castelo Branco.
Por Nuno Miguel em 25 de Feb de 2019
José Carlos Martins reconhece que, por exemplo, a nível hospitalar nos últimos anos encerraram cerca de três mil camas no serviço nacional de saúde. Uma situação que, em parte, pode ser justificada com o aumento de cirurgias em regime de ambulatório e com a diminuição dos tempos de internamento, mas essa situação acaba por ocultar a verdadeira face do problema “durante décadas houve um subfinanciamento crónico, o dinheiro que vinha dos nossos impostos para o ministério da saúde para ser distribuído pelos hospitais e centros de saúde era insuficiente face ao que era necessário. E este subfinanciamento crónico foi instrumental para a detioração do SNS. Olhando para esta legislatura, houve um pequeno aumento de financiamento mas insuficiente para o que é necessário. Continuamos a ter instituições com instalações degradadas, houve construções que tiverem o seu início atrasado e houve um ligeiro aumento do número de profissionais mas que é claramente insuficiente face às necessidades”.   
Já o cirurgião Luís Silveira, antigo dirigente da federação nacional dos médicos, considera que ao nível da Beira Interior as três unidades hospitalares devem saber articular-se ao nível da complementaridade de serviços e não terem todas as mesmas especialidades, para além dos serviços básicos que cada hospital deve assegurar. Ao mesmo tempo o médico defende uma separação clara entre o sector público e o privado na área da saúde “o sector privado não pode estar misturado com a público. Toda a gente sabe isto há muitos anos mas continua a haver esta mistura. E mais tarde ou mais cedo o sector privado vai tentar atrofiar o sector público porque lhe dá dinheiro. E aqui importa diferenciar o sector privado puro, como por exemplo o Hospital da Luz, em que são os privados que constroem e apetrecham o edifício e contratam o pessoal e isso não tem nada a vez com as parcerias publico-privadas em que cabe ao estado fazer todo o investimento e depois o entrega ao privado. E nesses casos o privado vai administrá-lo para ganhar dinheiro”.   
Na constituição portuguesa o serviço nacional de saúde é enunciado como sendo de acesso universal e tendencialmente gratuito. Mas a realidade é bem diferente, em virtude das opções políticas que tem vindo a ser seguidas, como refere Sebastião Santana, membro da federação nacional de sindicatos de saúde “começou por haver um sector administrativo público puro e duro, depois num curto espaço de tempo criaram-se sociedades anónimas que foi uma experiência tão boa que teve de se acabar com ela rapidamente. E a seguir inventámos os hospitais que são entidades públicas empresariais com a desculpa de que era o supra sumo da gestão e da facilidade de contratação e todos sabemos que isso está muito longe da verdade”. 
Outro dos problemas apresentados diz respeito à falta de planificação no que respeita à formação de especialistas. Uma questão que de acordo com o presidente da faculdade de ciências da saúde da UBI, Miguel Castelo Branco, nunca foi alvo de um verdadeiro levantamento das necessidades por parte da tutela “o grande problema em Portugal é que se diz que temos o nível de médicos adequados para a população. Isso é verdade se considerarmos todos os médicos de todas as especialidades. Só que isto não funciona assim. E há um conjunto de especialidades que não estão suficientemente dotadas de profissionais, nem no público nem no privado. Ainda há pouco tempo se falou de que faltam 500 anestesistas em Portugal, que é uma especialidade fundamental em termos cirúrgicos e ninguém ouviu falar de qual era a planificação para resolver esse problema. Esse é que é o mal”.   
Também a questão da eventual municipalização da saúde foi outro dos temas que esteve em cima da mesa. Luís Garra, coordenador da união de sindicatos de Castelo Branco, apontou o exemplo concreto do centro hospitalar da Cova da Beira para alertar para os perigos que essa opção pode comportar “de uma vez por todas é necessário que todos metam na cabeça que se queremos bem ao centro hospitalar da Cova da Beira temos de deixar de pensar no centro hospitalar-Covilhã. Porque este centro hospitalar é de toda a Cova da Beira. Porque carga de água é que a câmara da Covilhã tinha de ter ascendente sobre este centro hospitalar? Porque o hospital Pêro da Covilhã está aqui? Mas também há um hospital do Fundão. E depois quanto a obras e aquisições eu fico sempre desconfiado porque eu continuo a ver algumas obras autárquicas a ser adjudicadas a empresas de amigos de Lisboa”.  
Um debate em que todos os participantes afirmaram a necessidade de reforçar a aposta ao nível da medicina preventiva e também numa melhor articulação entre as redes primária, hospitalar e de cuidados continuados.

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