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Quinta, 25 Abr 2019
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SOCIEDADE
PORTUGAL PRECISA DE 20 MIL TÉCNICOS EM TIC
Rádio Cova da Beira
O país não está a formar o número suficiente de técnicos para o mercado de trabalho na área das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Disse Arlindo Oliveira, na visita que fez ao Agrupamento de Escolas do Fundão. O também especialista em Inteligência Artificial, em entrevista à RCB, desmistificou o medo que existe em relação à substituição dos humanos pelas máquinas.
Por Paula Brito em 28 de Jan de 2019

Em Portugal existem cerca de 20 mil vagas para preencher na área das TIC e estima-se que na Europa, em breve a necessidade de técnicos se aproxime de um milhão.

“Estamos a formar os técnicos necessários, não estamos é a formar em número suficiente, precisamos de mais. Daí que seja muito importante que as escolas secundárias atraiam os alunos para estas áreas porque há uma grande procura do mercado e são profissões muito atraentes, com projecção internacional.”  

O presidente do Instituto Superior Técnico deixa assim aos jovens, a recomendação que deixou às suas filhas.

“Para os jovens que gostam desta área, gostam de física e matemática, são profissões que eu recomendo, eu recomendei às minhas filhas, porque têm muitas opções e são profissões que preparam os jovens para dezenas de anos”.

Especialista em Inteligência Artificial (IA), Arlindo Oliveira desmistifica o medo que existe em relação à substituição dos humanos pelas máquinas.

“A IA poderá ser usada para substituir determinadas profissões, não muito especializadas, rotineiras, como atender ao telefone, guiar um automóvel ou camião em longa distância, e algumas mais especializadas, mas enfim, não vai fazer desaparecer os empregos e vai criar novas profissões porque é preciso programar, configurar e garantir que estes sistemas estão a funcionar. Tenho um colega que diz que os robots não vão criar desemprego porque ele por cada robôt precisa ter três a quatro pessoas a tomar conta do robot.”

O desajustamento entre o mercado da oferta e da procura e a privacidade são, na opinião do cientista, os perigos que encerra a Inteligência Artificia.

“A privacidade é uma questão séria, e é preciso dizer também que, se não tivermos os jovens devidamente preparados, podemos ter uma situação em que os empregos existem mas não temos as pessoas para os preencher.”

Mas consegue Arlindo Oliveira imaginar a evolução das novas tecnologias a 30 anos?

“Eu acredito que em 30 anos vamos ter sistemas bastantes sofisticados, com que podemos interagir de uma maneira mais ou menos natural, assistentes pessoais a quem podemos encomendar coisas como por exemplo a marcação de uma viagem, sistemas que terão alguma autonomia como conduzir um automóvel ou ajudar-nos a gerir o email. Se vamos muito para além disso, e teremos sistemas com grande autonomia, que poderão ser criativos em alguns aspectos, é uma pergunta mais difícil de responder.”  

A procura do Santo Graal da Inteligência Artificial continua, isto é, reproduzir em suporte digital a inteligência humana, o que os ingleses designam de Artificial General Intelligence, mas, “não sabemos se vamos lá chegar, e para dizer a verdade, quando lá chegarmos podemos não saber o que fazer com um sistema desses, mas as pessoas que estão a trabalhar nessa área têm isso como objectivo.”

Arlindo Oliveira em entrevista à RCB, à margem da deslocação ao Fundão a convite dos departamentos de informática e física do Agrupamento de Escolas do Fundão.


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