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Quinta, 25 Abr 2019
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SOCIEDADE
“SOU UM REVOLTADO COM ESSA SITUAÇÃO”
Rádio Cova da Beira
O director do centro de formação da associação de escolas da Beira Interior considera urgente encontrar um novo modelo de financiamento para as instituições de ensino superior que não seja baseado exclusivamente no critério do histórico.
Por Nuno Miguel em 25 de Jan de 2019

Em entrevista ao programa “Flagrante Directo” da RCB, Benjamim Luciano aponta a situação de subfinanciamento da UBI e dos politécnicos de Castelo Branco e da Guarda como revoltante “eu sou um revoltado com esta situação. Sei que a UBI convive com este problema há vários anos e sei que o défice neste momento é de um milhão e 200 mil euros. Como é que uma instituição pode funcionar nestas circunstâncias? Como é possível? Como é que pode criar condições para competir com outras instituições de ensino superior? E depois fala-se em fixar os jovens. Como é que uma universidade pode desenvolver actividades no sentido de os fixar se ela não tem dinheiro para fazer face às despesas correntes. Isto é absolutamente incompreensível. E relativamente aos politécnicos a situação é igual”. 

 

Mas para além da questão do subfinanciamento, o director do centro de formação da associação de escolas da Beira Interior sublinha que é também importante avançar com uma reorganização da rede, para que a oferta existente na região possa ser mais diferenciada “a questão da rede sempre foi muito discutível mas, na minha opinião, deve existir bom senso e também é uma questão estratégica. É preciso estudar muito bem, sem prejudicar nenhuma das partes para que todos possam ter os seus cursos, mas na minha óptica a sobreposição de cursos não valoriza muito porque apaga a diversidade. E por vezes é preciso coragem para avançar com novos cursos porque está tudo a mudar muito rapidamente. Nós já estamos a preparar alunos para daqui a 20 anos, para profissões que hoje não existem, e temos de estar muito atentos a essa situação”. 

 

Já em relação ao facto de nomeadamente os institutos politécnicos pretenderem apostar em cursos mais direccionados para as necessidades das empresas, Benjamim Luciano mostra-se favorável à ideia mas é preciso alguma cautela “acho muito bem que se pense em cursos específicos direccionados para as empresas mas parece-me curta e demasiado industrializada. Porque é que temos de estar só a formar técnicos para a indústria? Que mecanização é esta que nos obriga a todos a pensar em relação à empresa? Mas o agricultor que cultiva tomate todos os dias para vender na praça à segunda-feira não é um artista? Se existisse talvez um pouco mais de formação podia ser até um bom empreendedor mas ninguém pensa nisso. Pensa-se é em desenvolver educação para um conjunto de alunos que vão servir a parte industrial da coisa e ponto final”.  

 

Questionado ainda sobre a possibilidade de as autarquias virem a assumir novas competências na área da educação, o director do centro não esconde algumas reservas com o que pode vir a acontecer “aquilo que eu sei é que os autarcas vão gerir os edifícios e o pessoal não docente, que é muita gente nas escolas. Em primeiro lugar eu acho que é preciso preparar os autarcas nesse sentido uma vez que nem todas estarão preparadas para receber e gerir todo este património que é extraordinariamente vasto e complexo de manter. Eu acho muito bem que se faça, só espero é que não sejam criados mais quintais com isto porque já temos quintais que cheguem. A parte político-partidária nestas coisas tem sempre uma palavra a dizer e nós sabemos geralmente como é que isso acaba”.   

 

Uma descentralização que, afirma Benjamim Luciano, não vai abranger a parte pedagógica uma vez que todo o processo relacionado com o corpo docente vai permanecer sob a alçada do ministério da educação.


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