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Quinta, 20 Jun 2019
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CULTURA
“ÉS MEU, DISSE ELA”
Rádio Cova da Beira
É este o título do livro apresentado no Fundão por António Manuel Ribeiro, onde o vocalista dos UHF conta, na primeira pessoa, a experiência vivenciada durante nove anos em que foi perseguido e assediado por uma fã da banda. Um processo que levou a acusada a ser condenada em tribunal por duas vezes tendo o músico confessado à RCB ter vivido um autêntico pesadelo.
Por Nuno Miguel em 01 de Jan de 2019

“Foi um verdadeiro pesadelo que demorou nove anos e que me encontrou completamente desprevenido porque não fazia ideia do que se estava a passar. È perfeitamente normal uma pessoa chegar-se junto de outra, pode haver ou não uma ligação e cada pessoa segue o seu caminho. Neste caso era exactamente o contrário, quanto mais havia negação mais subia aquilo que era a escalada do ataque de uma forma extremamente disciplinada e inteligente e isso era o que mais me assustava porque eu, em certa altura, até cheguei a pensar que havia mais do que uma pessoa”.  

 

António Manuel Ribeiro sublinha que esta foi uma situação totalmente inesperada e que levou muito tempo até conseguir apurar o que realmente estava a acontecer “era uma pessoa desconhecida que se foi aproximando, primeiro dos UHF, dos espectáculos e encontros de fãs. Travou conhecimento e depois começou a ser obsessiva ao ponto de aparecer todos os dias nas minhas rotinas. O ir ao banco, aos correios, ao café do bairro, que são coisas que eu nunca ia a horas certas mas a pessoa estava sempre lá porque eu era perseguido sem saber. Era um carro perfeitamente normal que em 2003/2004 era um dos carros mais vulgares do país e nós não estamos preparados para isso. Vem um carro atrás de mim e eu não sei. Eu levei muito tempo a desmontar tudo isso, conto no livro que andei muito tempo aos papéis e passei por situações de verdadeiro pesadelo”.   

 

Perseguições de carro, horas à espera da chegada do músico a casa e encontros nos mais diferentes espaços públicos são alguns dos episódios narrados neste livro mas, em declarações à RCB, António Manuel Ribeiro não esconde que houve duas situações que o marcaram particularmente “no dia do primeiro julgamento levantei-me para ir para o tribunal e aconteceram duas coisas. A primeira era que tinha uma mensagem escrita que dizia que a minha mãe ia morrer de ataque de coração, a minha filha de cancro e o teu filho num acidente. Depois quando me desloquei para o portão do jardim para tirar o carro tinha junto à fechadura uma espécie de um terço feito de madeira com umas tampas, talvez de uns santos. Felizmente que tive o sangue frio de o retirar utilizando uma luva médica e entreguei-o à polícia para que pudessem ser procuradas impressões digitais. No fundo eram mensagens que visavam desmoralizar-me e criar medo mas felizmente que acabei por manter algum sangue frio”.  

 

Na apresentação deste livro o vocalista dos UHF refere que apesar de duas condenações judiciais, a mulher que o assediou e perseguiu durante nove anos acabou por nunca ser detida. António Manuel Ribeiro afirma que este tipo de situações deixa marcas na vida de uma pessoa e que só a passagem do tempo tem ajudado a apagar.


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