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Quarta, 26 Jun 2019
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SOCIEDADE
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: NÚMERO DE CASOS AUMENTA NA COVA DA BEIRA
Rádio Cova da Beira
A associação “Coolabora” registou este ano mais 116 novos casos de violência doméstica nos concelhos de Belmonte, Covilhã e Fundão. Os dados foram avançados por Diana Silva, técnica daquela organização, no decorrer de uma mesa redonda subordinada ao tema e que decorreu na biblioteca central da UBI.
Por Nuno Miguel em 10 de Dec de 2018
Números que demonstram que este é um problema muitas vezes escondido mas que continua a preocupar a sociedade e onde se registou em 2018 em aumento do número de vítimas com mais de 65 anos “até ao dia de ontem foram registadas 116 novas situações de violência doméstica, com um aumento dos casos de violência física associada à violência psicológica e onde 70 por cento dos casos que nós identificamos tem violência física. Foi um ano marcado por situações mais graves, por um aumento do número de vítimas com mais de 65 anos, e que implicaram medidas mais urgentes e também a uma maior articulação com as forças de segurança e com os órgãos judiciais”.     
A iniciativa serviu para assinalar o encerramento da exposição “Aqui Morreu Uma Mulher”. Tratou-se de um trabalho realizado por dois jornalistas da revista “Visão” em 2015, quando se completaram 15 anos sobre o reconhecimento da violência doméstica como crime público que a Animar, associação portuguesa para o desenvolvimento local, tem apresentado em vários pontos do país. Célia Lavado, coordenadora de projectos daquela associação, sublinha que, apesar do aumento do número de denúncias, a principal dificuldade das vítimas é dar o primeiro passo “isso acontece porque geralmente existe uma relação de grande proximidade entre a vítima e o agressor, muitas vezes as pessoas que são conhecedoras do crime andaram com a pessoa na escola, são amigos e isso acaba por criar um ambiente demasiado familiar e isso leva a que a situação seja mais difícil de denunciar. O importante é também mudar essa mentalidade e perceber que está ao nosso alcance fazer alguma coisa para mudar a situação. Por isso é muito importante a questão da denuncia e do apoio à vitima” 
Nesta exposição é retratada um conjunto de 28 fotografias e histórias de mulheres vítimas deste tipo de crime. De acordo com a jornalista Teresa Campos esta exposição tem como grande objectivo levar os cidadãos a reflectir sobre um problema que é ainda olhado muitas vezes como um tabu “esta exposição foi inaugurada em Lisboa e onde estiveram presentes uma série de entidades que deram um apoio público e expresso a esta causa. Entretanto a exposição passou para as mãos da «Animar», que mostrou interesse em mostrá.la pelo país e nós temos procurado acompanhá-la dentro das nossas possibilidades. Foi um trabalho meu e do José Carlos Carvalho que durante um ano fomos mostrar os locais onde morreu uma mulher. A ideia é que quem visita esta exposição possa ver todo um país e conhecer a história que esteve por detrás desse crime”.  
Um trabalho realizado em parceria com o fotojornalista José Carlos Carvalho que, em declarações à RCB, admite que há situações que acabam por mexer com os sentimentos dos profissionais “há um caso que a mim me marcou particularmente que foi o de uma pessoa de 26 anos, que morava no Porto, e que fez uma viagem de carro de seis horas para ir a Faro e matar a ex namorada. São coisas que mexem com os nossos sentimentos embora este trabalho tenha sido realizado a alguma distância temporal da altura em que o crime aconteceu. Nunca tivemos qualquer contacto com as pessoas que cometeram o crime, por vezes conseguimos contactar com familiares ou amigos mas também reconheço que o facto de acompanhar a situação a alguma distância temporal acaba por fazer com que fosse um trabalho um pouco menos difícil”. 

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