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Segunda, 17 Dez 2018
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SOCIEDADE
FUNDADOR AVALIA CUIDADOS PALIATIVOS
Rádio Cova da Beira
Passados 26 anos desde a criação da primeira unidade de cuidados paliativos em Portugal, no Fundão, a cobertura no país está apenas a cerca de 30%.
Por Paula Brito em 07 de Dec de 2018

“Ainda estamos com um grande défice, devemos estar a uns 30%. Nós temos 35 unidades neste momento, não sei exactamente o número de camas, mas sei que por cada 100 mil habitantes deve haver cerca de 10 camas. Por exemplo, aqui no distrito está fácil de ver, era uma unidade em Castelo Branco e outra aqui no Fundão.”

António Lourenço Marques, que fundou, no Fundão, aquela que viria a ser a primeira unidade de cuidados paliativos do país, lamenta que, não estando o país ainda coberto, já se fale numa nova tipologia de doentes nos cuidados paliativos. Para o médico anestesista os doentes agudos não cabem nos cuidados paliativos, tal como eles devem ser encarados.

“O essencial é uma equipa multidisciplinar que presta assistência a uma determinada pessoa, que tem uma doença, em princípio incurável, progressiva, e que a vai levar ao falecimento, e essa equipa tem capacidade para resolver todas as questões colocadas a esse doente. Ao criarmos uma nova tipologia de doentes agudos, de cuidados paliativos, estamos a cair numa situação um bocado difícil.”

Para António Lourenço Marques também não faz sentido o debate sobre a eutanásia quando ainda não existe uma cobertura a 100% de cuidados paliativos.

“Acho extraordinário num país em que os cuidados paliativos ainda estão num estado de desenvolvimento muito frágil, estarmos a falar de eutanásia, uma questão que poderá ter sentido quando a pessoa tem acesso a cuidados paliativos, e, apesar de tudo, tem essa vontade, porque a nossa experiencia nunca nos levou para aí, a nossa experiencia nunca nos levou a doentes a pedirem-nos que querem morrer.”

António Lourenço Marque visitou, recentemente, com o presidente da câmara do Fundão, uma unidade pediátrica de cuidados paliativos, e entende que o Fundão tem todas as condições para continuar a ser pioneiro nesta área.

“Gostava também que no Fundão, e é possível, porque não há respostas no país, para os cuidados paliativos pediátricos, é algo que não é fácil, só há uma unidade em Portugal e tem dois anos. Eu só posso estar satisfeito por saber que o presidente da câmara, que é uma pessoa que pode ter um papel importante nisto, pode fazer avançar as coisas aqui no Fundão, penso que está no caminho e que pode lá chegar”.

Em entrevista ao programa “Flagrante Directo” da RCB, António Lourenço Marques recordou como o caso do doente de Casal da Serra, esteve na origem dos cuidados paliativos no Fundão, como foram evoluindo, os apoios, as conquistas, as dificuldade e a ruptura que precipitou a sua saída do hospital do Fundão, em 2010.


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