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Quinta, 12 Dez 2019
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SOCIEDADE
“O SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE ESTÁ A DESMORONAR-SE”
Rádio Cova da Beira
A afirmação foi feita pelo presidente da secção regional do centro da ordem dos médicos na cerimónia do juramento de Hipócrates, que decorreu no passado sábado na faculdade de ciências da saúde da universidade da Beira Interior.
Por Nuno Miguel em 27 de Nov de 2018

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Foi a primeira vez que a cerimónia foi realizada no interior do país e onde Carlos Cortes traçou um diagnóstico muito negativo sobre o actual estado da saúde em Portugal “existe uma falta gritante de recursos humanos e aqui no interior sabem muito bem disso. Tão simplesmente porque a planificação feita nas últimas décadas foi desastrosa e a colocação de especialistas continua a ser das mais injustas e incompreensíveis. Apesar dos avisos da ordem dos médicos, a tutela nunca se preocupou em criar condições para os hospitais e os centros de saúde os poderem receber. O acesso dos doentes aos cuidados de saúde é hoje profundamente desigual e as pessoas que vive nesta região não tem as mesmas oportunidades dos doentes de Coimbra, Lisboa ou Porto”.  
Aos cerca de 80 novos médicos que receberam a sua cédula profissional, que os habilita ao exercício da medicina, Carlos Cortes não perdeu a oportunidade de lançar um conjunto de desafios “sejam corajosos, não se refugiem na passividade, num silêncio cúmplice. Não deixem de gradar as condições em que são praticados os actos de saúde. Os vossos doentes não vos perdoariam. Não se enganem com falsas notícias embelezadas pela mentira política. Estamos hoje perante uma nova encruzilhada em que o nosso serviço nacional de saúde está a desmoronar-se e cabe-nos a nós médicos, médicos, mais uma vez apontarmos um caminho de igualdade e solidariedade para com os nossos doentes”.  
Palavras que foram escutadas atentamente pela presidente da administração regional de saúde do centro. Embora sem traçar um quadro tão negativo sobre o funcionamento do SNS, Rosa Reis Marques considera “o serviço nacional de saúde é inquestionavelmente uma das maiores conquistas na história multisecular do nosso país. Representou um avanço civilizacional em termos de indicadores de saúde quer em termos democráticos e sociais. Pela primeira vez o povo português viu constitucionalmente plasmado o direito à saúde. Defender o serviço nacional de saúde é defender a democracia portuguesa, é defender a coesão e a solidariedade nacional”.       
Certo é que a falta de profissionais de saúde nos territórios do interior foi um dos temas fortes que acabou por marcar esta cerimónia. Mas esse é um problema que só pode ser resolvido com um conjunto articulado de medidas. A primeira das quais, diz o presidente da secção regional do centro, tem de passar por um reforço do investimento nas unidades hospitalares “muitos equipamentos estão obsoletos e já nem sequer podem ser reparados por falta de assistência técnica e por isso é preciso investir nessa área assim como nos edifícios que estão a ficar bastante degradados. Essa é a primeira intervenção que tem de ser feita, a par da segunda que é fixar os profissionais de saúde. Obviamente que a capacidade de atracção dos hospitais do litoral é muito maior do que a dos hospitais do interior e por isso cabe ao ministério da saúde equilibrar os pratos da balança. Estas desigualdades não ajudam e por isso tem de se fazer algo pelo interior”.    
Mas há outras medidas que devem ser tomadas em articulação, como por exemplo o reforço do número de vagas para especialidade nos hospitais do interior, defende João Casteleiro, presidente do centro hospitalar universitário da Cova da Beira “é preciso convencer os colégios das especialidades a darem vagas aos hospitais do interior, nem que sejam parciais, mas isso leva a que os profissionais se habituem a ver outras realidades e até a optarem por se fixar no interior onde, na minha opinião, existe uma melhor qualidade de vida. O nosso grande défice é de recursos humanos e é nessa área que temos de trabalhar”.  
Para além disso, o presidente da faculdade de ciências da saúde da UBI, Miguel Castelo Branco, entende que também é necessário tomar medidas no que diz respeito à contratação de profissionais por parte das unidades de saúde “é necessário haver mudanças na política de contratação de médicos porque penso que as que estão a ser utilizadas até ao momento não estão a demonstrar ser efectivas nem resolvem os problemas das pessoas. Há mudanças a fazer e essas mudanças passam pela formação de especialistas e também pelos modelos de contratação de médicos. Penso que esses são os principais desafios a que a saúde, para poder ser mais equitativa, tem de dar resposta”. 

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