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Quinta, 14 Nov 2019
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CULTURA
EXPOSIÇÕES NO TRIBUNAL DA COVILHÃ
Rádio Cova da Beira
Até final deste ano, o edifício do tribunal da Covilhã vai ter patentes ao público três exposições documentais. Trata-se de uma parceria entre o tribunal da comarca de Castelo Branco e a universidade da Beira e que pretende dar a conhecer o espólio documental que foi encontrado no edifício do tribunal e que, devido à realização de obras no imóvel, acabou por não ser enviado para as instalações do arquivo distrital.
Por Nuno Miguel em 26 de Nov de 2018
A primeira mostra incide sobre a justiça no sector dos lanifícios no século XIX e onde estão apresentados vários processos que comprovam porque naquela época a Covilhã era conhecida como a “Manchester Portuguesa”, como refere José Avelino Gonçalves, juiz presidente do tribunal da comarca de Castelo Branco “era uma justiça muito rica porque rica era também a região, com muitos conflitos naturalmente, mas tínhamos aqui uma verdadeira Manchester portuguesa. Havia aqui profissões que não existiam em mais lado nenhum, como é o caso do superintendente dos lanifícios, e do juiz regedor dos panos que era uma justiça própria dos lanifícios. Eram juízes que, fora da justiça comum, resolviam todos os problemas de crime ou cível das fábricas e de toda a gente que nelas trabalhava”.      
Paralelamente está também patente uma exposição sobre o arquivo do tribunal da Covilhã, e onde são apresentados vários processos judiciais que decorreram no século XIX e na primeira metade do século XX e que, na sua maioria, estão relacionados com o extinto banco da Covilhã e com a santa casa da misericórdia “o banco da Covilhã foi uma instituição criada por capitais do norte e que vieram para aqui porque era um sítio onde havia muito dinheiro, as relações comerciais eram muito intensas. Temos por exemplo aqui um processo em exibição onde está em causa o valor de um cheque de 60 contos, que era uma fortuna naquela época, em que aparece como ré uma empresa aqui da Covilhã. Posso dizer que os maiores processos eram do banco da Covilhã e da santa casa da misericórdia, que naquela altura também emprestava dinheiro, e eram os grandes clientes que nós tínhamos aqui”.        
A terceira exposição que pode ser vista é “O Traço da Justiça”, que já esteve patente ao público noutros pontos do distrito e que resulta de uma apresentação do espólio da caricaturas que foi recolhida pelo jornal “O Trevim” para assinalar os 50 anos da sua função.Paulo Peralta, actual presidente da cooperativa, sublinha que o humor tem sido uma marca da acção deste jornal quinzenário e que, para além desta exposição, vai desenvolvendo outras iniciativas em que procura corporizar o mote «falar a verdade a brincar»: “esta exposição foi concebida há um ano atrás, quando o «Trevim» comemorou os 50 de anos de vida e termos todo este espólio permite-nos fazer com alguma regularidade a festa do humor. Obviamente que tivemos sempre essa expectativa de ir mais além com esta exposição, como está a acontecer. Ela tem tido uma grande projecção aqui na Beira Baixa mas obviamente que estamos disponíveis para a ceder e que ela possa ser mostrada noutros locais do país”.   

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