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Domingo, 18 Nov 2018
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SOCIEDADE
“NÃO ME QUERO SUBSTITUIR AOS IRMÃOS”
Rádio Cova da Beira
O bispo da diocese da Guarda afirma que os problemas que tem vindo a ser tornados públicos nas santas casas da misericórdia do Fundão e da Covilhã devem ser resolvidos no seio das respectivas irmandades.
Por Nuno Miguel em 07 de Nov de 2018
Recorde-se que no caso da Covilhã se verificaram quatro demissões, Jorge Saraiva, Hugo Brancal, Albertina Matos e Lurdes Lourenço, sendo que o primeiro ocupava o lugar de secretário da mesa administrativa. Já no caso do Fundão foi o presidente da assembleia geral, Manuel Ramos, que bateu com a porta alegando ausência de diálogo por parte do provedor da instituição tendo outro elemento do mesmo órgão, Vaz Henriques, também apresentado a sua demissão.
Questionado sobre o tema pela RCB, D. Manuel Felício reconhece que “há problemas, eu reconheço isso, mas não me quero substituir aos irmãos. Sabe que estas instituições têm a sua autonomia, são centenárias e tem um peso que deve servir como alavanca para a resolução dos grandes problemas que se colocam às pessoas para as quais a instituição está dirigida mas elas não podem resolver os problemas das pessoas se não resolverem os seus problemas internos”.    
No caso do Fundão, e em entrevista à RCB, o pároco Jorge Colaço mostrou-se muito crítico à actual gestão da instituição mas garantiu que não será candidato às próximas eleições. No entanto mostrou-se disponível para colaborar com a misericórdia caso venha a ser constituída uma comissão administrativa. Questionado pela RCB sobre o assunto, o bispo da diocese da Guarda é peremptório “a instituição tem lugares próprios para se poder intervir e para se pedir responsabilidades mas nunca na praça pública e nem na comunicação social. Esta é a minha posição e ele sabe-a bem, independentemente das razões. Sabe que podemos ter razão mas por vezes a estratégia que usamos não nos dá razão. Quanto temos razões temos de definir muito bem a estratégia para a expor. E nestas instituições o lugar próprio são as assembleias gerais, que podem até ser extraordinárias e convocadas em momentos difíceis como porventura será este caso. Por isso, como lhe digo, não basta ter razão. É preciso ter razão e usar a estratégia própria para que a razão venha ao de cima e possam ser encontrados os caminhos adequados que ela impõe”.    
Embora sem querer particularizar nenhum dos casos, D. Manuel Felício não perdeu a oportunidade de enviar uma mensagem para os órgãos sociais das misericórdias “se eu estou numa instituição destas e em vez de a cuidar a estrago, às vezes não lhe dou a atenção que ela exige e nesses casos os problemas, em vez de diminuírem, até aumentam e a sua insustentabilidade começa a ser um grande problema. Se eu estou numa situação dessas, tenho de rever a minha posição. E neste caso das misericórdias estamos a falar de irmandades compostas por irmãos e são os irmãos os verdadeiros responsáveis pelo andamento da vida da instituição”.   
Mas de acordo com o bispo da diocese da Guarda também os irmãos não podem demitir-se de assumir um papel interventivo nas duas instituições “como irmão não posso demitir-me de ter presença e interrogação a quem está, por exemplo, a fazer uma gestão que não será aquela que interessa ao cumprimento da missão de uma IPSS com marca própria. As misericórdias não são uma IPSSD qualquer e a sua marca são as 14 obras de misericórdia. E eu tenho de garantir condições para que essas 14 obras funcionem. E os irmãos têm de estar atentos e não podem permitir que se dê uma orientação que seja insustentável, seja ela qual for”.

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