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Domingo, 18 Nov 2018
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POLÍTICA
“DEIXEI A UNIDADE MAS NÃO DEIXO A MISSÃO”
Rádio Cova da Beira
Foi desta forma que Helena Freitas se pronunciou sobre a sua saída das funções de coordenadora da unidade de missão para a valorização do interior. A professora na universidade de Coimbra refere que decidiu tomar esse passo uma vez que sentiu que não existia vontade política para concretizar algumas das reformas que pretendia implementar no sentido de esbater as assimetrias entre o litoral e o interior.
Por Nuno Miguel em 06 de Nov de 2018
“No meu entendimento, Portugal precisa de um misto. Precisamos de ter políticas para as pessoas e políticas para os territórios. Temos de saber combinar estas duas orientações e era isto que eu me propunha fazer com o plano nacional para a coesão territorial. Eu saí da unidade de missão para a valorização do interior a certa altura porque entendi que não havia vontade política para levar a bom termo esta minha proposta. Mas tenho dito e mantenho que deixei a unidade mas mantenho a missão e é por isso que estou aqui e vou continuar a andar por ai”.
Declarações de Helena Freitas no decorrer da conferência sobre o desenvolvimento do interior, que decorreu ontem no Fundão, organizada pela união de sindicatos de Castelo Branco e onde a antiga coordenadora da unidade de missão considerou que Portugal precisa de ter uma verdadeira unidade ministerial em prol da coesão territorial e que não se esgota com a criação de uma secretaria de estado em Castelo Branco “nós não precisamos de ter um secretário de estado em Castelo Branco, quiçá será um presente envenenado como aqui foi dito, embora politicamente até funcione. Aquilo que precisamos é de uma área ministerial que tenha só como incumbência a coesão territorial. É preciso. Não há outra maneira. 90 por cento da despesa da administração pública Portuguesa está em Lisboa e isso significa que os serviços também estão em Lisboa. E mais de metade da capacidade de resposta aos serviços da administração pública também está na área metropolitana de Lisboa. Isto implica emprego e dinâmica económica e essa é que é a grande questão”. 
Num olhar sobre a proposta de orçamento de estado para 2019, Helena Freitas mostrou-se muito céptica quanto aos anúncios de atribuição de benefícios fiscais para empresas que se fixem no interior do país “eu não acredito no eixo da política fiscal. Não acredito que os benefícios fiscais venham a resolver o problema mas admito que possam gerar uma expectativa positiva e nós chegámos a um nível tão baixo, a uma depressão tão intensa, que eventualmente o benefício fiscal é um tónico e pode-nos fazer acreditar que se calhar é desta. Mas o histórico que existe de benefício fiscal não trouxe nada”.  
Continuar a aposta no desenvolvimento da rede de ensino superior é outro dos caminhos apontados pela antiga coordenadora da unidade de missão para a valorização do território. No entanto Helena Freitas sublinha que essa aposta tem de ser feira de forma sustentada, e evitando contra sensos, porque não é apenas com a redução do valor das propinas que se atraem mais alunos para o interior “digo-vos já que também não acredito nestas medidas das propinas e acho que existe uma contra senso muito grave quando se introduz essa questão mas depois a seguir permite-se, por exemplo, que a universidade do Porto abra uma área do saber na área das ciências agrícolas ou da floresta quando a UTAD ou o politécnico de Castelo Branco já se impuseram no território nessas áreas. Temos de fazer escolhas. Aquilo em que acredito é que a rede de instituições de ensino superior é determinante naquilo que for o processo de valorização dos territórios”. 

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