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Domingo, 18 Nov 2018
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POLÍTICA
ORÇAMENTO PARA 2019 “SABE A POUCOCHINHO”
Rádio Cova da Beira
Luís Garra considera que os baixos salários, a precariedade e a falta de emprego com direitos são as principais razões que continuam a contribuir para a desertificação do distrito de Castelo Branco. A ideia deixada pelo coordenador da união de sindicatos na sessão de abertura da conferência dedicada à temática do desenvolvimento do interior e que decorreu ontem no edifício da Moagem.
Por Nuno Miguel em 06 de Nov de 2018
Para Luís Garra é preciso que o governo tome medidas imediatas para solucionar estes problemas sob pena de o distrito continuar a definhar “a remuneração base média mensal bruta dos trabalhadores por conta de outrem no distrito é um pouco mais de 700 euros. A maioria ganha o salário mínimo nacional. É a terceira mais baixa do continente. Atrás do distrito de Castelo Branco estão Bragança e a Guarda. Aqui os trabalhadores empobrecem a trabalhar. É esta a causa e o efeito para a constante saída da população jovem para o estrangeiro e para o litoral e é aqui que temos de agir e com rapidez. Sendo verdade que o desemprego diminuiu e que o emprego aumentou ligeiramente a juventude continua a abalar. É por isso que hoje ouvimos empresas a dizer que falta mão de obra qualificada e nós dizemos que se não se inverter a matriz de baixos salários, se não se combater a precariedade e se não se oferecer trabalho com direitos a mão de obra vai continuar a falar e o interior vai continuar a definhar”. 
O coordenador da união de sindicatos recordou ainda uma conversa que teve com um antigo presidente da câmara do Fundão para aludir às declarações de João Paulo Catarino em que o secretário de estado para a valorização do interior defende, na próxima legislatura, uma abolição das portagens nas zonas mais frágeis do ponto de vista económico “todos ouvimos declarações do senhor secretário de estado a dizer que é pela abolição das portagens e que aquilo que desejava é que o Partido Socialista para a próxima legislatura já lá tivesse a abolição das portagens. Eu aqui lembro de um antigo presidente da câmara do Fundão, que com o seu ar bonacheirão me dizia «ó Luís Garra olhe que as obras só dão votos enquanto não estão feitas porque depois de feitas começam a dizer mal delas e lá perdemos uns votitos»”.   
Por isso, Luís Garra não perdeu a oportunidade para lançar um desafio ao governante “tem agora oportunidade de acelerar o caminho. Na assembleia da república, em sede de discussão da proposta de orçamento de estado na especialidade, tem a oportunidade de iniciar o caminho de redução progressiva e assim antecipar o seu desejo de só na próxima legislatura isso ser feito. E assim queremos libertá-lo da acusação de que está a querer utilizar as portagens para uma nova campanha eleitoral o que não lhe ficaria bem”.   
Num olhar sobre a proposta de orçamento de estado para 2019, o coordenador da união de sindicatos não esconde que “não estando desiludido, sinto-me desconfortável e algo revoltado com a resposta que não é dada na proposta de orçamento de estado para os problemas do interior. Ao discurso em dose XXL do governo sobre o interior exigia-se muito mais. O que vem sabe a um orçamento poucochinho. E não é o facto de instalar a secretaria de estado para a valorização do interior na nossa região que esconde que as medidas apresentadas são avulsas, desconexas, contraditórias e em alguns casos ineficazes”. 

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