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Domingo, 18 Nov 2018
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CULTURA
PEDAÇOS DA HISTÓRIA NO CASINO FUNDANENSE
Rádio Cova da Beira
Uma relação de telegramas, em dívida, da Presidência da República aos Correios de Belém, datada de 1939, revela que, em vésperas da Alemanha invadir a Noruega, o Presidente da República Portuguesa, Óscar Carmona, enviou um telegrama ao rei da Noruega e outro a Adolph Hitler. O documento faz parte da exposição inaugurada esta manhã, no casino fundanense, que conta parte da história contemporânea de Portugal.
Por Paula Brito em 24 de Oct de 2018

O decreto de António Spínola, datado de Maio de 1974, a nomear Adelino da Palma Carlos primeiro-ministro do primeiro governo provisório após o 25 de Abril, é outro dos documentos históricos que constam da exposição “O arquivo da presidência da República ao serviço do Presidente da República” que pode ser visitada no casino fundanense até ao próximo dia 23 de Novembro.

Um decreto do Senado, de 1916, que autoriza a junta da paróquia do Alcaide, no concelho do Fundão, a alienar um cabeço de mato no sítio da Casa Nova, aproxima a exposição do Fundão, tal como as condecorações atribuídas pela Presidência da República a personalidades e instituições do concelho. É o caso do seminário do Fundão, que em 1966 Américo Thomaz tornou membro honorário da Grande Ordem Benemérita, ou de António Paulouro que, em 1985 Ramalho Eanes distinguiu com o grau de comendador da Ordem da Liberdade.

“A exposição sofreu uma adaptação e pretende-se demonstrar com ela que o arquivo da Presidência da República (PR) constitui um acervo documental absolutamente fundamental para construir a história contemporânea portuguesa. É verdade que durante muitos anos a PR descurou esse aspecto, como é que é possível que desde 1910 até 1997 nunca tenha tido o cuidado de criar um arquivo na verdadeira acepção da palavra?”.

O resultado deste atraso é que muitos documentos se perderam. António Pina Falcão, director de serviço de documentação e arquivo da Presidência da República, justifica assim o facto de uns presidentes estarem mais representados que outros nesta mostra, “é que o próprio arquivo fotográfico da presidência só existe desde Jorge Sampaio”.

Para além de curiosidades, como saber que em 1934 o Presidente da República ganhava 18.000$00, mais 6.000$00 em despesas de representação, esta exposição mostra ainda quais são as competências do Presidente da República expressas na Constituição.

“Os actos próprios, como presidir ao Conselho de Estado ou ser o presidente das Forças Armadas, os actos que pratica em relação a outros órgãos, nomeadamente a dissolução da Assembleia da República ou a nomeação do Primeiro Ministro, e também os actos relacionados com as relações internacionais designadamente a nomeação de embaixadores noutros países e a acreditação de embaixadores em Portugal.”

O presidente da Câmara do Fundão, Paulo Fernandes, salientou a importância da mostra para o conhecimento da história contemporânea do país. “É que mais depressa dizemos os nomes dos reis de Portugal do que dos presidentes da República”, exemplificou o autarca.

Uma parte dessa história está contada nos documentos que integram a exposição, como uma carta enviada pela casa dos representantes do congresso dos EUA a Mário Soares, alertando o então PR para a degradação do velho cemitério judeu de Faro, mas também o programa do banquete oferecido pelo Presidente da República ao príncipe do Japão, Takamatsu, no palácio nacional da Ajuda em 1930. E já na altura o cherne era um peixe apreciado pela classe política. Além do cherne braseado, fazia parte da ementa um creme de coentros. Quem disse que coentros e rabanetes não vão à mesa do rei?


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