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Quarta, 26 Jun 2019
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SOCIEDADE
“DISCURSO DA UNIÃO SERVE PARA DIMINUIR REIVINDICAÇÕES ORÇAMENTAIS”
Rádio Cova da Beira
Os hospitais da Beira Interior não vão dar nenhum passo para uma articulação de funcionamento em rede sem existirem garantias de que todos vão permanecer com o mesmo estatuto e em que sejam mantidas as valências essenciais. É pelo menos esta a convicção do presidente do conselho de administração do centro hospitalar da Cova da Beira.
Por Nuno Miguel em 29 de Aug de 2018

O presidente do conselho de administração do CHUBI reagiu desta forma às declarações de Álvaro Amaro, presidente da câmara da Guarda, que no decorrer de um fórum sobre saúde que decorreu naquela cidade defendeu que é preciso tirar da gaveta o processo de criação do centro hospitalar da Beira Interior. De acordo com João Casteleiro, independentemente das especialidades que venham a ser diversificadas entre os hospitais de Castelo Branco, Covilhã e Guarda, é fundamental que as instituições estejam preparadas para dar resposta às principais necessidades sentidas pelas populações “os hospitais podem ter algumas valências que só um ou outro possam ter mas há valências que tem de existir em todos por uma questão de proximidade. As nossas populações são as mais desfavorecidas e não podem estar longe dos serviços. Eu não posso dizer a uma pessoa que está em Vila Nova de Foz Côa que vá ter uma consulta de otorrino ao hospital de Castelo Branco ou a uma pessoa que está na Sertã para ir ter uma consulta de oftalmologia à Covilhã. Nós temos de ter médicos para dar consultas, para operar e instituições onde as pessoas possam estar”.  

O presidente do conselho de administração do centro hospitalar da Cova da Beira acrescenta que o discurso de união serve muitas vezes para retirar valências ao interior, uma vez que os três hospitais já têm vindo a colaborar em diversas áreas “esse é um chavão para quando nos querem dividir. Eu dou-me lindamente com os directores das ULS da Guarda e de Castelo Branco e colaboramos activamente com muitos dos nossos profissionais. É evidente que quando querem tirar alguma coisa ao interior vem dizer que temos que nos unir porque não nos damos bem. Isso é tudo um chavão. É uma forma de nos diminuírem muitas vezes naquilo que são as nossas reivindicações orçamentais”. 

Se a ordem é para unir hospitais, João Casteleiro desafia que esse processo seja feito em regiões onde há várias unidades de saúde e que distam poucos quilómetros umas das outras “se olharmos para Lisboa, quantos hospitais ali existem? Então porque é que não se unem hospitais que distam entre si meia dúzia de quilómetros e querem unir outros? De Foz Côa ao limite do distrito de Castelo Branco distam 300 quilómetros. É fácil dizer que o nosso país é uma faixa muito estreita entre Aveiro e Vilar Formoso. A distância é muito pequena para quem anda de helicóptero. E nós sabemos que as populações que aqui estão muitas vezes demoram horas para andarem 20 quilómetros de autocarro. É esta realidade que quem está em Lisboa, Porto ou Coimbra não conhece e que depois vem dizer para nos unirmos”.


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