RCB/TuneIn
Terça, 11 Dez 2018
PUB
UBI
CIMD Cabecalho
SOCIEDADE
ESTUDO “PREJUDICADO E INVIABILIZADO”
Rádio Cova da Beira
O estudo "Prevalência de Hipertensão Arterial na população Adulta do Concelho da Covilhã" encontra-se “prejudicado e inviabilizado, pelos erros nos materiais e métodos” utilizados, referem o Director do Serviço de Cardiologia do CHUCB, António Peixeiro, e o Presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão, Manuel Rodrigues.
Por Paulo Pinheiro em 09 de Aug de 2018

Em causa, está o programa da “Pressão Arterial da Beira Baixa” do Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB), integrado na Unidade de Investigação Qualidade de Vida no Mundo Rural, que concluiu que a prevalência de hipertensão arterial na população adulta do concelho da Covilhã é de 56,0%, mais de metade dos habitantes.

Os médicos do Centro Hospitalar destacam o facto de a amostra envolvida no estudo ser maioritariamente idosa ou muito idosa (960 dos 1272 indivíduos envolvidos, o equivalente a 75,4% da amostra, tinham mais de 60 anos). Acima dos 70 anos eram 598 indivíduos (47% da amostra). No polo oposto apenas 38 dos envolvidos (equivalente a 2,9% da amostra) tinha menos de 29 anos

“Sendo sabido, como aliás é reconhecido no próprio estudo, que a HTA aumenta com a idade, fácil é perceber que os valores médios encontrados se situem acima do que seria de esperar para a população em geral”, apontam António Peixeiro e Manuel Rodrigues e acrescentam “pena foi que este estudo, baseado na população do Census de 2011, não tenha feito a comparação com o único estudo de prevalência da HTA em Portugal (estudo PHYSA) realizado, também ele, com base no referido Census de 2011.

Nesse estudo o valor de prevalência encontrado para a região da Beira Interior foi de 41,3%, para uma média nacional de 42,1% “daí que, a comparação que é feita com o estudo PAP (o estudo foi realizado em 2003, sendo 2007, como é referido no estudo, apenas a data da sua publicação), fique muito aquém da desejada e, como tal, não traduzindo a realidade atual do nosso País e da nossa região”, defendem.

Na análise à metodologia utilizada, os clínicos afirmam que “os cuidados tidos nas medições da pressão arterial foram os recomendados”. No entanto, “o uso de um aparelho aneroide e, não de um oscilométrico, levanta problemas de ordem metodológica, os quais inviabilizam os objectivos pretendidos com o estudo”, declara.

Os cardiologistas destacam a sobrevalorização da média encontrada, que “não pode ser validada para um estudo de tipo transversal e observacional, nem tão pouco ser referência comparativa”.

Os médicos salientam ainda a “baixa adesão ao tratamento encontrada”, factor a merecer a maior das atenções e preocupações para o controlo das doenças crónicas não transmissíveis e, em particular, da hipertensão arterial.

 

c/ Beatriz Cavaca. 

 

 

 


  Redes Sociais   Facebook

2007—2018 © Rádio Cova da Beira

Todos os direitos reservados