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Domingo, 15 Jul 2018
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SOCIEDADE
“HÁ EQUIPAMENTOS QUE NÃO SÃO SUBSTITUIDOS POR FALTA DE FINANCIAMENTO”
Rádio Cova da Beira
A denúncia é feita em entrevista ao programa “Flagrante Directo” da RCB pelo responsável da unidade de otorrino do centro hospitalar da Cova da Beira. Rui Cerejeira considera que a questão do subfinanciamento das unidades de saúde é um dos factores que dificulta a fixação de mais profissionais de saúde no interior.
Por Nuno Miguel em 22 de Jun de 2018
“Nós temos sentido isso na pele. Todos sabemos que o centro hospitalar da Cova da Beira tem graves insuficiências ao nível de financiamento. É um hospital que todos os dias se depara com problemas em termos de material. Por exemplo nós já alertámos a administração para alguns problemas que temos e que nos impedem de fazer determinado tipo de procedimentos cirúrgicos que neste momento estão parados por falta de material. Temos equipamentos que avariaram e ainda não foram substituídos por falta de financiamento. E tudo isso é também um factor que dificulta a fixação de mais médicos nesta região”.
Nesta entrevista à RCB, Rui Cerejeira explicou os motivos que o levaram, em Outubro de 2015, a abandonar o hospital de Penafiel para se fixar na região “eu nunca teria vindo para o interior se não pudesse vir com a minha esposa que é também médica de otorrino. O facto de sermos um casal da mesma especialidade permite-nos enfrentar de forma diferente esta aventura que foi chegar a um sítio onde não conhecíamos ninguém, onde o serviço estava fechado há quatro anos e tivemos de fazer tudo de raiz. Viemos encontrar uma população ávida de cuidados de otorrino e apesar de todos os nossos esforços temos noção de que o hospital público só com dois médicos não consegue dar resposta a todas as solicitações. Estamos a falar de uma área de referência com cerca de 90 mil habitantes e dois profissionais para a sua cobertura é um número altamente insuficiente”.  
Mas para que este exemplo possa ser seguido por outros profissionais, Rui Cerejeira sublinha que deve existir uma mudança profunda de políticas para que mais médicos se fixem no interior do país “eu penso que, nesse aspecto, é necessário mudar a política da saúde em Portugal. Sabemos que o interior apresenta dificuldades em várias especialidades e os médicos não têm aqui condições mais vantajosas do que no litoral, contrariamente ao que algumas pessoas pensam. Não ganhamos um cêntimo a mais por trabalhar no litoral ou no interior. E sem existirem condições ao nível de tecnologia para os médicos conseguirem trabalhar, obviamente que não se vai conseguir atrair mais profissionais para virem trabalhar para aqui”.

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