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SOCIEDADE
COMEÇOU NO FUNDÃO SONHO DE CHEGAR À CURA DO CANCRO
Rádio Cova da Beira
Depois de ter acolhido a primeira unidade de cuidados paliativos do país, o hospital do Fundão prepara-se para receber um novo projecto pioneiro na área das terapias complementares do cancro. O CEU DCT CANCRO, assim se designa o Centro Europeu que pretende juntar na região o que de melhor se faz na imunoterapia oncológica, medicina integrativa, biomedicina, inteligência artificial e nanotecnologia.
Por Paula Brito em 30 de May de 2018

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Ontem, na apresentação do projecto que decorreu durante o I Fórum sobre a temática na Moagem, Antero Carvalho, líder da equipa responsável pelo estudo de localização, explicou os motivos da escolha do Fundão de entre quatro alternativas propostas, duas das quais fora do país.

“O Fundão oferece-nos um ambiente amigável, com um presidente que é visionário, que nos permite estar no âmbito das tecnologias, que é uma das áreas centrais do que pode vir a ser o suporte à imunoterapia e às novas abordagens da medicina, para além disto, o Fundão é mais neutral relativamente às dinâmicas de interesses que nós conhecemos bem porque somos muito assediados por elas.”

O Centro (CEU) está distribuído em três espaços que correspondem às várias vertentes do projecto: a imunoterapia e medicina integrativa serão desenvolvidas num dos pisos do antigo hospital do Fundão que a misericórdia vai recuperar para ali instalar a Unidade de Cuidados Continuados, juntamente com uma Unidade de Convalescença, em parceria com o centro hospitalar da Cova da Beira e onde ficará também a unidade de medicina nuclear que, segundo Paulo Fernandes, está “validada”. Para o autarca, o CEU é “uma oportunidade na forma como pode interagir com aquele espaço”. Na sessão de abertura, o presidente do município deu as boas vindas ao projecto no Fundão, onde “não temos medo de inovar”.

Sérgio Oliveira, médico de clinica geral há 30 anos, cientista e investigador na área de neurociência, encontrou na medicina integrativa uma resposta para os pacientes quando esta não existia na medicina bioquímica. No edifício do hospital, que foi visitar com a comitiva de especialistas que se deslocou ao Fundão, vê a oportunidade de abordar a medicina integrativa como em nenhum outro lugar do mundo.

“Estou hoje vendo que nós vamos conquistar a oportunidade de fazer medicina integrativa. Eu lecciono nos Estados Unidos, em alguns países da Europa, além do Brasil e América latina, eu não vi ainda em nenhuma universidade um projecto como este no mundo.”

Outro dos espaços físicos do projecto é nos laboratórios do centro de investigação da faculdade de ciências da saúde da Universidade da Beira Interior, onde vai ser produzida a vacina, não preventiva mas curativa, como explica José Alexandre Barbuto, professor de imunologia do instituto de ciências biomédicas da Universidade de S. Paulo e coordenador do laboratório de Imunologia de tumores. Nos últimos 20 anos tem-se dedicado ao estudo e investigação da imunoterapia do cancro e ao desenvolvimento de uma vacina para tratamento do cancro avançado, que já é ministrada no Brasil, com resultados animadores.

“Resultados animadores e promissores. Curou? Não, mas boa parte dos doentes tem uma resposta em que a doença pára, por um certo tempo a doença é influenciada uma vez que a vacina permite ao sistema imunitário entrar na briga e começar a participar. Às vezes o resultado é muito bom, a doença regride, mas é muito raro. No estudo publicado em doentes com melanoma e cancro de rim a estabilização foi em cerca de 70% dos doentes.”

A vacina, em fase experimental, poderá ser administrada ao abrigo do protocolo do medicamento inovador, a pedido do paciente e do oncologista e, sempre que autorizada pelo Infarmed, será comparticipada pelo Serviço Nacional de Saúde. Quando e se a autorização não existir haverá outras formas de fazer chegar a vacina gratuita ao doente. Antero Carvalho deixou como exemplo uma linha, que pode ser criada juntamente com associações que trabalham com crianças, que permita disponibilizar a vacina gratuita. É que apesar dos interesses financeiros que o projecto suscita, o interesse do doente estará em primeiro.

“Estão à nossa espera interesses ligados a grupos económicos, que estão ligados por sua vez a farmacêuticas, e eles serão benvindos, mas quando nós conseguirmos fazer algo que é comum a todos, nós queremos que aquilo que seja possível alcançar como resultado da ciência seja em benefício do ser humano, do doente oncológico, neste caso, e depois que se possa transformar em interesses sustentáveis para quem coloca dinheiro.”

A terceira vertente do projecto vai funcionar no Centro de negócios do Fundão, no pavilhão multiusos, onde será recrutada uma equipa, que pode chegar aos 75 elementos, para trabalhar a Inteligência Artificial com o objectivo de melhorar a eficácia da vacina no tratamento do cancro.

“A ideia é que a Inteligência Artificial olhe para a mutação das células e para a interacção que as células cancerígenas têm com as dendríticas e perceber os porquês que até hoje a ciência não conseguiu perceber.”  

O projecto está calendarizado, a primeira fase de instalação, termina no final do ano.

“A fase seguinte são dois anos de fixação da primeira fase que é a ocupação da unidade hospitalar, licenciamento dos laboratórios, que já existem, mas não estão licenciados para a vacina em concreto, o que iremos fazer junto do Infarmed. A fase dois e três serão os ensaios clínicos da vacina e depois a fase de cinco anos que será conseguir chegar a uma eficácia e capacidade de produzir melhores resultados, não só nos quatro protocolos que já fazemos como alargar a outros protocolos, ou seja, a outros tipos de cancro.”


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