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Quinta, 16 Ago 2018
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SOCIEDADE
OS ESTIGMAS DA ACÇÃO SOCIAL
Rádio Cova da Beira
“Quem usufrui do Rendimento Social de Inserção (RSI) é um malandro.” O estigma instalado na sociedade portuguesa levou a que muitas das pessoas apoiadas pela Caritas pedissem para não solicitarem esse apoio. A ideia deixada por Eugénio da Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa, em entrevista à RCB.
Por Paula Brito em 17 de May de 2018

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“Há uma estigmatização do RSI e há pessoas que não o querem porque ficam coladas a um preconceito que foi criado neste país que era um subsídio para malandros. Nós temos várias situações de pessoas que preferem ficar na situação de carência mas pedem por tudo para não exigirmos delas o recurso ao RSI. Isto foi um mal que se praticou neste país relativamente a uma ajuda que era tão básica, que não ia tirar as pessoas da pobreza, mas aliviava a agressividade da pobreza.”

Apostada em tirar as pessoas da situação de pobreza em vez de se limitar ao apoio financeiro, a Caritas Portuguesa tem encontrado outro estigma nesta missão relacionado com a exclusão, pela idade, do mercado de trabalho, de pessoas que são novas demais para se reformarem e velhas demais para trabalharem.

“Temos que olhar para estas pessoas porque muitas delas já não são pessoas, como outrora tínhamos, de baixas qualificações académicas. Algumas ficaram sem trabalho com 35, 40 anos, mas que já têm habilitações consideráveis, e por causa da idade, com esta resignação ao modelo de acesso ao trabalho que temos, que já exclui pela idade, o grande desafio está em conseguirmos trabalho para estas pessoas.”

Este ano o peditório anual da Caritas Portuguesa ficou-se pelos 118 mil euros, menos 20% do que no ano passado. Uma redução que Eugénio da Fonseca atribui a vários factores: desde logo ao mau tempo, ao facto dos portugueses terem sido muito solicitados para acções de solidariedade devido aos incêndios e a outro estigma, que tende a instalar-se na sociedade portuguesa, que é preciso combater não confundido o todo com as partes.

“Há um clima na sociedade portuguesa que pode ser altamente prejudicial para esta confiança que as pessoas devem ter nas suas instituições, por algumas suspeitas que têm aparecido da indevida utilização desses meios que são confiados às instituições, nem são a maioria sequer, são apenas árvores carcomidas por interesses que não têm nada a ver com a solidariedade e por isso não devemos tomar a parte pelo todo.”

Uma situação que segundo Eugénio da Fonseca, levou também a que muitos voluntários, este ano, se tenham recusado a participar no peditório cujos valores angariados, garante, se destinam a ser aplicados na diocese onde são recolhidos.


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