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Sexta, 20 Jul 2018
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CULTURA
“PIDE – CRÓNICA DE UMA PRISÃO”
Rádio Cova da Beira
É este o título da mais recente obra de José Pinheiro da Fonseca que foi publicamente apresentada na biblioteca municipal da Covilhã. O livro narra a experiência vivida na primeira pessoa pelo autor, que foi detido pela polícia política do estado novo no dia cinco de Janeiro de 1968 com a suspeita de promover actividades subversivas à segurança do estado.
Por Nuno Miguel em 16 de May de 2018

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Memórias que José Pinheiro da Fonseca recupera neste livro, confessando à RCB que “foi uma experiência dolorosa, como foi a experiência de todos os que caíram nas garras da Pide. Não há que ter saudades nenhumas desse tempo, nem desses processos nem dessa gente. Eu fiz este livro fundamentalmente com a ideia de deixar um testemunho pessoal porque a memória é fundamental. Se um dia não houver memória destes factos, eles vão ser tratados como se não tivessem existido”.
Detido na Covilhã, José Pinheiro da Fonseca esteve detido nas instalações da Pide na Guarda, tendo posteriormente sido transferido para o forte de Caxias, tendo sido libertado no dia 20 de Março de 1968, sem que nenhuma acusação concreta lhe tivesse sido formulada “eu nunca consegui apurar o verdadeiro motivo porque fui preso, provavelmente até nem haverá um motivo único. O que acontecia na altura é que a Pide via muito mal os promotores culturais e eu promovia coisas aqui na cidade. Estive envolvido em peças de teatro, promovia conferências, colaborava nos jornais e tudo isso era um conjunto de actividades que não era simpática àquela confraria. Provavelmente não fui preso por uma coisa única, concreta, mas por um conjunto de coisas. Mas a verdade é que a Pide nunca me apontou uma coisa em concreto e me disse que eu estava preso porque fez isto e não o devia ter feito”. 
Por várias vezes, Pinheiro da Fonseca foi submetido a interrogatórios na sede da polícia política, na rua António Maria Cardoso, e onde se procurou que confessasse uma actividade política em que nunca se envolveu “a ideia deles é que eu era membro do Partido Comunista e, a partir dai, eles queriam saber quem é que me tinha aliciado, qual era o valor da quota que pagava, quem é que eu controlava. Mas tudo isso não tinha qualquer razão uma vez que eu nunca fui membro do Partido Comunista. Se tivesse sido, não havia mal nenhum mas a verdade é que nunca fui. Por isso as perguntas que me faziam muitas vezes nos interrogatórios eram falseadas uma vez que partiam de uma premissa falsa”.  
Na apresentação da obra, o escritor e jornalista Fernando Paulouro refere que este trabalho preserva a memória de um tempo dramático para os portugueses “o memorialismo expresso neste livro é uma imagem de um tempo dramático para o povo português, onde os direitos mais elementares da pessoa humana eram sonegados. Havia uma prepotência total e uma arbitrariedade da Pide, que prendia pessoas de bem como foi o caso do Pinheiro da Fonseca. Por isso trazer à superfície esta experiência pessoal, vivida na primeira pessoa, mostra que se trata de uma parcela relativa a um universo de sofrimento que envolveu mais de 20 mil pessoas que estiveram detidos por esta polícia”.  

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