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Terça, 14 Ago 2018
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POLÍTICA
“NÃO PODEMOS COMETER OS MESMOS ERROS”
Rádio Cova da Beira
Miguel Viegas defende a criação de um regime tarifário específico para incentivar a produção de energia a partir da biomassa. A proposta está actualmente a ser discutida em Bruxelas e o eurodeputado do PCP considera que a sua aprovação é determinante para garantir uma distribuição mais justa dos rendimentos por toda a cadeia produtiva, evitando dessa forma a repetição do erro que foi cometido ao nível da energia eólica.
Por Nuno Miguel em 11 de May de 2018
“Nós não podemos cometer o mesmo erro que aconteceu no caso das eólicas em que se criou uma tarifa que na prática tem servido apenas para as grandes empresas dos parques se encham de dinheiro sem que haja uma distribuição deste incentivo por toda a cadeia produtiva. Neste momento está em discussão em Bruxelas um regime específico tarifário para incentivar a produção de energia a partir da biomassa mas, do nosso ponto de vista, isso só poderá ser positivo para a região se isso se traduzir numa valorização da biomassa ao nível dos proprietários florestais”. 
Em visita ao concelho do Fundão, Miguel Viegas sublinha que a limpeza da floresta continua a não ser uma actividade rentável e por isso o sistema só pode fazer sentido com a criação de incentivos para dinamizar essa actividade “todo o sistema pode fazer sentido desde que seja compensador, porque não é o é hoje. Por isso é que continuamos a adiar soluções e que, ano após ano, continuamos a assistir à problemática dos incêndios porque a limpeza da floresta não é rentável e, na esmagadora maioria dos pequenos proprietários, nem sequer tem posses para fazer essa limpeza”.
O eurodeputado teve ainda oportunidade de visitar as obras de construção da central de biomassa que estão em curso na zona industrial do Fundão e não esconde alguma preocupação quando ao facto de, devido aos incêndios do último verão, a região não ter capacidade suficiente para abastecer aquele investimento “da parte da empresa nós vamos total abertura, as contas estão feitas, mas ao mesmo tempo há uma grande preocupação para a Cova da Beira onde em virtude dos incêndios que se verificaram recentemente não há, neste momento, capacidade para abastecer aquele investimento em biomassa. Por isso a curto prazo devem ser encontradas fontes alternativas de biomassa que permitam viabilizar este projecto”. 
Nesta deslocação à região, o eurodeputado do PCP teve ainda oportunidade de reunir com responsáveis da associação “Pinus Verde” e onde recolheu diversas preocupações relacionadas com a falta de investimento público para a modernização da floresta “o interior, e esta região em particular, precisa de investimento para modernizar a floresta e inverter esta tendência de declínio económico, social e demográfico. Mas isso só pode ser alcançado com políticas públicas. Por isso no quadro da floresta é necessário perceber porque é que as verbas que estão consignadas no PDR para apoiar a floresta se esgotam rapidamente e depois quando os pequenos proprietários ou as associações concorrem aos projectos para modernizar a floresta acabam por ficar de mãos a abanar. Por isso, na nossa opinião, é necessário reforçar o envelope financeiro dedicado ao investimento na floresta”. 

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