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SOCIEDADE
COL√ČGIO DE S. FIEL: TRAIDO DUAS VEZES PELAS CHAMAS
Rádio Cova da Beira
A Biblioteca municipal do Fund√£o recebeu uma palestra sobre ‚ÄúA ac√ß√£o educativa dos jesu√≠tas e o col√©gio de S. Fiel‚ÄĚ, dinamizada pelo autor do livro sobre a mesma tem√°tica. Ernesto Candeias Martins passou em revista a hist√≥ria do emblem√°tico edif√≠cio, reerguido das cinzas ap√≥s um inc√™ndio ainda como orfanato, e que aguarda um investidor privado para se reerguer de novo, depois do inc√™ndio do Ver√£o passado.
Por Paula Brito em 09 de May de 2018
 

A construção do colégio de S. Fiel começa em 1852, quando Frei Agostinho da Anunciação decide transferir o orfanato, que funcionava no centro da povoação, para a propriedade que lhe tinha sido doada por um irmão mais velho, no Casal da Pelota, hoje conhecido por S. Fiel. E também naquela altura, um incêndio poderia ter acabado com o sonho do padre franciscano, natural de Louriçal do Campo, que deitou mãos à obra e o fez renascer das cinzas construindo um edifício “megalómano”, considera Ernesto Candeias Martins, “aliás quem olha para a primeira construção aquilo parece mais um seminário com parque interior, arcos, camaratas com dois pisos”.

Preocupado com a sucessão, Frei Agostinho da Anunciação decide entregar a instituição aos padres da Companhia de Jesus, tendo obtido para isso o consentimento do Papa Pio IX numa das viagens que fez a Roma com a Infanta D. Isabel Maria, de quem era confessor.

Os jesuítas tomaram a direcção do orfanato em 1863, que administraram até 1910, transformando-o num dos melhores colégios de um conjunto que acabaria por ser a maior rede do ensino público em Portugal até ao Séc. XX.

“Há dois colégios que se destacam, o colégio fundado em 1858, em Campolide, e em 1863 os jesuítas criam o seu irmão mais novo, o mais nobre dos colégios do interior que era S. Fiel.”

No colégio de S. Fiel havia alunos externos e internos, muito rigor nos horários, retiros espirituais, educação física, ginástica, equitação e esgrima, laboratórios, um observatório astronómico, herbário e um museu de história natural. Foi lá que foi fundada a revista de ciências naturais “Brotéria” onde se publicaram mais de 1300 artigos de investigação em áreas como a Botânica, a Zoologia e a Genética, e foram descritas e classificadas sistematicamente 1327 novas espécies zoológicas e 887 novas espécies botânicas. Um colégio de ciência e de arte por onde passaram grandes figuras e personalidades da história, ciência, cultura e igreja

“Desde Robles Monteiro, João de Deus Ramos, filho de João de Deus e das escolas móveis, e sobretudo aquele é mais conhecido, Egas Moniz, primeiro e único Nobel português, mas também Cabral Moncada, catedrático de Direito, uma grande personalidade na Universidade de Coimbra, entre muitos outros”. É também o caso do fundanense Alberto Costa, Pad´Zé de alcunha, advogado e jornalista, do escritor e etnógrafo Jaime Lopes Dias ou do advogado e poeta Augusto Gil.

Com a implantação da República Portuguesa, o Colégio de São Fiel foi encerrado, na sequência da expulsão dos jesuítas de Portugal. Entre 1910 e 1919 foi quartel ocupado pelas milícias militares e sanatório. É nessa altura que é acrescentado ao edifício o varandim que permitia aos doentes com tuberculose ali apanharem sol.

Em 1919 o Estado transformou-o primeiro em reformatório, cujo primeiro director foi Ramos Preto, e depois em Instituto de Reeducação para jovens, até 2003, data a partir da qual ficou sem qualquer utilidade. No Verão de 2017 é de novo consumido pelas chamas no grande incêndio da Gardunha. 

Património do Estado, está actualmente na lista dos edifícios para concessionar aos privados no âmbito do Revive, à espera de renascer de novo das cinzas, desta vez ao serviço do turismo.


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