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Terça, 22 Mai 2018
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SOCIEDADE
“CLIMA DE MEDO” NA MISERICÓRIDA DA COVILHÃ
Rádio Cova da Beira
É uma paz podre, e não santa, aquela que se vive na misericórdia da Covilhã. A denúncia feita pela coordenadora da delegação distrital do sindicato dos trabalhadores em funções públicas e sociais em conferência de imprensa. Segundo Cristina Hipólito, o sindicato quis tornar pública a sua indignação pela falta de actuação da Segurança Social e da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) na misericórdia covilhanense.
Por Paula Brito em 04 de May de 2018
 

Em causa está o incumprimento do acordo colectivo de trabalho subscrito, “de livre vontade”, pela misericórdia da Covilhã e mais 150 misericórdias do país. Segundo Cristina Hipólito, em Janeiro de 2017, numa reunião entre o provedor e o sindicato, Neto Freire deixou a garantia de que as actualizações salarias e de categorias seriam feitas nas valências que faltavam, ou seja, no centro diagnóstico e infantários.

“Esta garantia foi transmitida às trabalhadoras mas o tempo foi passando e, no início deste ano, tivemos que pedir a intervenção da ACT porque o apuramento e pagamento desses valores não está a ser feita aos trabalhadores e escandalizou-nos uma entrevista do senhor provedor onde disse que teria que despedir 40 trabalhadores, ele não fala em despedimentos fala em não renovação dos contratos de trabalho.”

A ausência de resposta da ACT vai levar o Sindicato a pedir a intervenção do provedor de justiça.

“Nós estamos na iminência de pegar no ofício que fizemos e pedir ao provedor de justiça que intervenha. A ACT também não é rápida porque também não dispõe do número de inspectores que deveria dispor, mas desde Janeiro? Estamos em Maio.”

Escandalosa foi também intenção manifestada pelo provedor de encerrar o infantário Bolinha de Neve, um dos quatro que recebeu da Segurança Social, ao abrigo de um protocolo em que o Estado transfere para a misericórdia a prestação de um serviço.

“Se não há dinheiro que chegue tem que negociar o protocolo com a Segurança Social e pedir mais, agora fechar as valências e ameaçar os trabalhadores, alegando que não há sustentabilidade, então onde é que está o dinheiro da Segurança Social?”

Cristina Hipólito denunciou ainda um clima de medo, prepotência e abuso de poder que “está a ultrapassar todas as marcas” e que foi relatado ao sindicato por mais de duas dezenas de trabalhadoras.

“É uma pressão constante sobre os trabalhadores quer em matéria de horários, quer em matéria de férias, e as humilhações”, Cristina Hipólito deixa um exemplo “há pouco tempo houve uma reunião no Bolinha de Neve onde as trabalhadoras souberam um quarto de hora antes que o provedor ia avisar os pais que ia encerrar o infantário e uma das justificações era dizer às trabalhadoras para dizerem aos pais quanto é que elas ganhavam, isto é uma humilhação.”

O Sindicato vai colocar em frente à sede da misericórdia uma faixa que diz “Na Santa Casa da Misericórdia da Covilhã os trabalhadores são explorados e assediados”.

Contactado pela RCB, o provedor da misericórdia covilhanense, Neto Freire, não quis tecer comentários remetendo o assunto para um comunicado que vai sair de uma reunião entre a mesa administrativa.


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