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Terça, 22 Mai 2018
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POL√ćTICA
ALPEDRINHA RECEBEU ABRIL
Rádio Cova da Beira
Alpedrinha foi palco este ano das comemora√ß√Ķes do 44.¬ļ anivers√°rio do 25 de Abril no concelho do Fund√£o e, por um dia, voltou a ser sede de concelho. Paulo Fernandes destacou o simbolismo da escolha da vila hist√≥rica, no ano europeu do patrim√≥nio cultural e no primeiro 25 de Abril ap√≥s a trag√©dia dos inc√™ndios que atingiu a Gardunha.
Por Paula Brito em 25 de Apr de 2018

“Hoje é dia de união em nome de um interesse maior, e é sobretudo na escala local de proximidade que a capacidade de resposta aos que padeceram dos males que afectaram o nosso coração e o nosso pulmão terá que ser mais eficaz. O que aconteceu em Alpedrinha no último Verão recorda a expressão: em cada rosto igualdade e em cada vizinho fraternidade e solidariedade. Queria aqui referir que o município do Fundão não aceitará qualquer discriminação para qualquer ferido afectado por esta tragédia.”

O presidente da câmara do Fundão numa referência ao ferido de Alpedrinha no incêndio cujo apoio não está previsto pelo governo por não ter sido nos incêndios de Junho nem de Outubro.

Também o presidente da junta de freguesia de Alpedrinha, Carlos Ventura, agradeceu a escolha, deu as boas vindas a todos e quis deixar neste dia uma mensagem de união para dentro da vila.

“Eu gostaria que ficasse este mote: que nós nos empenhássemos, cada um com o seu valor, todos temos os nossos pontos de vista mas devemos partilhá-los no nosso dia a dia, nas nossas autarquias, nas nossas freguesia, nas nossas associações.”  

Na intervenção destinada aos representantes das diferentes bancadas com representação na Assembleia municipal, a eleita do Bloco de Esquerda, Cristina Guedes, falou da liberdade de escolha em relação a três temas defendidos pelo BE, a começar pela mudança de sexo aos 16 anos. 

“Não é viver em liberdade se o meu género for feminino enquanto o meu sexo é masculino. Outra escolha que quero reflectir hoje á a liberdade de ter uma morte legalmente assistida, pois a liberdade de decidir o prolongamento da vida cabe a cada um de nós. A terceira escolha que quero partilhar convosco é a liberdade de escolher o medicamento que me proporciona qualidade de vida no meio de uma doença dolorosa, a legalização de canábis para fins medicinais é uma questão de saúde e de liberdade”. 

Catarina Gavinhos, eleita da CDU, duplamente feliz por estar em Alpedrinha a comemorar o seu mês preferido, optou por falar das suas preocupações em relação à vila. 

“Em Alpedrinha vive-se com medo que fechem escolas, postos de GNR, extensões de saúde e tudo o que é serviço público de proximidade. O que se tem aguentado tem sido a manifesta precariedade: não temos um edifício para albergar com toda a dignidade a junta de uma freguesia que já foi concelho, o espólio patrimonial e museológico, muito rico de Alpedrinha, está votado ao abandono. A nossa simpática anfitriã, a Santa Casa da Misericórdia, é a maior empregadora da vila, sinal claro do que move, ou não move, a economia da nossa terra.” 

José Pina, da bancada do PS, falou da coragem da assembleia municipal do Fundão em decidir, através de uma moção unânime, pelo não à exploração de lítio na Argemela, numa altura em que a comunicação social realça o valor económico do lítio. Um interesse económico que não se pode sobrepor aos interesses históricos e culturais. 

“A constituição portuguesa garante que todos, de forma livre, possam defender o direito à sua opinião e posição, e não se sobrepõe, em caso algum, o valor da economia aos valores da defesa da saúde, do ambiente e do património. E se é assim, ficamos a deve-lo à revolução de Abril.” 

Cristiano Gaspar, da bancada do PSD, trazia um cravo branco na lapela para mostrar que a democracia e a liberdade não têm cor. 

“Assistimos quase a uma subtil, engenhosa e, perdoem-me a palavra forte, usurpação da conquista democrática por partidos à esquerda. Se a democracia e liberdade são valores transversais a um espectro político bem mais alargado do que do centro para a esquerda, colar a direita ao fascismo é de uma impressionante habilidade política e estratégica mas sobretudo de uma desconsideração moral para com a liberdade de expressão e pensamento pelas quais lutaram.”

Vítor Martins elogiou o discurso dos mais jovens, que são o garante da democracia no concelho do Fundão, e falou das ameaças à democracia no mundo, na Europa e no país.

“Não é democrático secundarizar regiões do país como o nosso interior, ou ignorar segmentos populacionais mais vulneráveis, ou alocar recursos de forma iníqua, ou permitir que serviços públicos sejam prestados como se de um mero negócio se tratasse, ou desbaratar activos e valores colectivos.”

Uma das maiores ameaças à democracia é o populismo e a demagogia, frisou o presidente da assembleia municipal do Fundão, para quem os valores democráticos nunca podem ser dado como adquiridos.



 

 

 


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