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Domingo, 16 Dez 2018
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POLÍTICA
AMC: IDEAIS DE ABRIL NÃO ESTÃO TODOS CUMPRIDOS
Rádio Cova da Beira
A Covilhã tem ainda um longo caminho a percorrer até conseguir cumprir todos os ideais de Abril. É pela esta a avaliação de várias das forças políticas com assento na assembleia municipal na sessão solene comemorativa dos 44 anos da revolução dos cravos.
Por Nuno Miguel em 25 de Apr de 2018

Marco Aurélio, representante da bancada do PSD, colocou o direito à habitação tal como está consagrado na constituição, como uma das tónicas dominantes da sua intervenção e apesar do esforço feito na construção de 600 fogos de habitação social há ainda muito por fazer no que diz respeito ao estado de degradação do parque habitacional “quem hoje vive em casas de habitação social no concelho da Covilhã vive um dos maiores dramas relacionados com o estado de degradação em que se encontram estas casas. A falta de manutenção é da inteira responsabilidade da câmara municipal. E ao problema da falta de condições de segurança e higiene soma-se outro problema, a não cobrança do valor das rendas. Em 2017 a câmara da Covilhã não cobrou 70 por cento das receitas da habitação social. Dos 635 mil euros que deveriam ser arrecadados, a câmara não cobrou 440 mil euros. Esta conduta nada tem de social”.

 

Por parte da bancada do CDS/PP, João Vasco Caldeira sustenta que cumprir Abril vai muito além das palavras “quando não permitimos que os eleitos vejam as suas propostas discutidas e votadas estaremos a cumprir Abril? Quando um pouco por todo o nosso concelho há assembleias de freguesia em que não se respeitam os prazos para o envio da documentação. Onde se atropelam procedimentos e não se respeitam os eleitos. Estamos a cumprir Abril? Respondo-vos de forma muito clara. Não. Não basta virmos aqui engalanados com um cravo na lapela e gritar vivas à liberdade e à democracia. Cumprir Abril é respeitar todos os seus princípios dos mais básicos aos mais complexos. É respeitar todos os eleitos e os seus direitos”.  

 

Para o representante do movimento independente “De Novo Covilhã”, que considera que cumprir Abril é lutar pela captação de novos investimentos ou pela construção da nova barragem. Luís Fiadeiro acusa ainda o actual executivo de não ter uma verdadeira estratégia para o futuro do concelho “hoje verificamos com alguma apreensão que não há qualquer estratégia definida. Não há um caminho delineado. A Covilhã vive ao sabor dos ventos, com as consequências dai decorrentes, nomeadamente tendo em atenção que as cidades limítrofes há muito que estabeleceram o seu caminho com uma estratégia adequada. Por isso é urgente pensar a Covilhã. É urgente colocar de novo da Covilhã no caminho de um são e harmonioso desenvolvimento. É preciso reivindicar. É preciso lutar. Sair dos gabinetes e procurar investimentos que proporcionem a criação de postos de trabalho”.

 

Mais centrado nas questões nacionais o representante da CDU, Pedro Manquinho, sustenta que há ainda muito a fazer para que Abril se cumpra em Portugal “não é só possível mas é necessário, com a força do povo, construir um país mais justo e solidário. Um país em que quem trabalha veja reconhecido no seu salário o seu esforço. Onde vejam reconhecidos os seus direitos. Onde quem trabalhou uma vida inteira com uma longa carreira contributiva tenha acesso a uma reforma digna e sem penalizações. Um país com mais e melhor saúde, educação, segurança social e em que os serviços públicos tenham melhor qualidade e sejam acessíveis a todos”.

 

Já o representante do PS sublinha o esforço que o actual executivo tem feito no sentido de concretizar uma estratégia de desenvolvimento para o futuro do concelho. Uma tarefa árdua, afirma Nuno Pedro, dada a situação encontrada pelo Partido Socialista quando assumiu a gestão do município “no passado a opção foi fazer dívida e gastar. Foi a teoria de quem vier a seguir que feche a porta, praticada à exaustão e de forma claramente deliberada. Este executivo conhece bem demais as dificuldades que um mau planeamento financeiro acarreta. Para termos uma ideia, se nada se fizesse no próximo ano o montante de amortização da dívida seria de 12 milhões de euros. Dava quase para construir uma barragem. Se somarmos a este montante os cerca de 40 milhões de euros do mandato anterior, imaginem quantas barragens não se podiam construir? No entanto era pena porque se acabavam os vídeos”.

 

João Casteleiro, presidente da assembleia municipal, sublinha que “a Covilhã está encravada entre duas ditas capitais de distrito que reivindicam, sempre que podem, esse estatuto pai dai retirarem benefícios ainda que unilateralmente legítimos muitas vezes são eticamente indefensáveis. A Covilhã sempre tem vencido estas diferenças sem azedumes e sem lamentações. Estamos na Cova da Beira e não na Cova da Iria. Preferimos sempre reivindicar e trabalhar de pé do que pedir de joelhos”.

 


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