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Segunda, 10 Dez 2018
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SOCIEDADE
FUNDÃO É CASO ÚNICO E DIFÍCIL DE RESOLVER
Rádio Cova da Beira
Com 24 extensões de saúde dispersas pelo concelho, o Fundão tonou-se um caso único, complexo e difícil de gerir, do ponto de vista dos cuidados de saúde primários, admite António Santos Silva, director clinico do Agrupamento de Centros de Saúde da Cova da Beira, em entrevista à RCB.
Por Paula Brito em 17 de Apr de 2018
 

A começar pela dificuldade de ali fixar médicos.

“Os últimos quatro novos médicos que foram colocados no Fundão, dois já foram embora e há dois que já pediram para ir embora. Eles não querem estar no Fundão porque a progressão na carreira tem a ver com a qualidade, com os índices, com o serviço prestado, ora, eles sendo colocados num centro de saúde com tantas extensões, os índices dos parâmetros de avaliação ficam aquém dos outros.”

Segundo António Santos Silva, a “galinha dos ovos de ouro”, para médicos e utentes, seria a criação de Unidades de Saúde Familiar (USF).

“Porque os médicos trabalham por objectivos contratualizados e o vencimento deles é consoante o cumprimento desses objectivos, e é a galinha dos ovos de ouro também para os doentes porque têm consulta todos os dias. Além disso, numa USF um doente nunca pode ser mandado para casa dizendo que o médico dele não está.”

Mas não há bela sem senão, a criação de uma Unidade de Saúde Familiar implica o encerramento de todas as extensões de saúde na sua área de abrangência.

“Não há unidades de saúde familiar no país com extensões de saúde, eu já assisti a algumas discussões sobre isso onde se criaram USF, está tudo preparado, mas falta cortar uma extensão porque o poder local diz não, e ficam neste impasse.”

Segundo António Santos Silva as unidades de saúde familiar são o futuro, e no caso do concelho do Fundão poderiam resolver o problema da dispersão, falta de médicos e menor qualidade na assistência, uma vez que a rotatividade dos médicos é de seis meses, em média. No entanto, o directo clínico do ACES admite que a solução tem que passar também pelo governo, devido à complexidade da situação.

“É uma situação difícil e complicada a do Fundão. A solução passa pela criação de grandes polos de saúde, que tenham médico de manhã e de tarde, mas para isso é preciso haver uma rede de transportes que assegure a mobilidade desses doentes ao polo de saúde, é evidente que isto tem que passar por uma solução que envolva o governo central. Ao nível do país é um caso muito específico e na ARS centro, o mais específico, quando se fala em extensões de saúde na ARS do centro, fala-se logo no Fundão.”


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