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Quarta, 25 Abr 2018
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SOCIEDADE
“NÓS SOMOS CORREDORES DE FUNDO”
Rádio Cova da Beira
O coordenador da união de sindicatos de Castelo Branco garante que a plataforma contra as portagens na A 23 e na A 25 não vai desistir de lutar até que seja possível novamente circular nestas vias sem custos para o utilizador.
Por Nuno Miguel em 13 de Apr de 2018
À partida para a marcha lenta que foi agendada para esta sexta-feira, Luís Garra reafirmou que é exigido uma redução progressiva do valor cobrado até à abolição definitiva e acusa o governo de assumir uma atitude de passividade em relação a este assunto “nós não vamos abrandar com o conjunto de acções que temos decididas e aquilo que notamos da parte do governo é uma atitude de deixar andar e que vamos acabar por nos cansar. Por isso a mensagem que daqui deixamos ao primeiro ministro é que ele está completamente enganado quanto a isso. Nós somos corredores de fundo e não nos cansamos. Estamos habituados a maratonas e por isso esta luta vai durar o tempo que for necessário”.
A união de sindicatos é uma das nove organizações dos distritos da Guarda e de Castelo Branco que integra a plataforma contra as portagens na A 23 e na A 25 que, nos próximos tempos, vai levar por diante outras acções de luta para contestar a medida entre as quais uma deslocação à residência oficial do Primeiro Ministro que deve ter lugar durante o mês de Maio.O movimento empresarial “Pela Subsistência do Interior” é outra das organizações envolvidas na plataforma e o seu porta voz, Luís Veja, considera que há várias razões que justificam que o governo avance com a abolição das portagens o mais depressa possível “imediatamente após a introdução das portagens perderam-se 4600 postos de trabalho em toda a Beira Interior, perderam-se 336 empresas e a sinistralidade aumentou brutalmente porque se verificou um desvio de tráfego para as estradas secundárias e para as nacionais. Com a introdução das portagens houve um aumento de nove por cento de acidentes com feridos nas estradas nacionais e sete por cento nas municipais. Nem que seja só por estas razões valeria a pena que o governo pensasse que isto é uma prática anti competitiva, anti económica e que também se tornou homicida porque se trocaram portagens por vidas humanas”.   
José António Pombo já participou em diversas iniciativas pela abolição das portagens e decidiu novamente integrar esta acção de protesto, uma vez que a medida é claramente penalizadora para as populações e empresas do interior do país “há pessoas que precisam de circular nestas vias todos os dias e, em alguns casos, mais de uma vez por dia e todos nós sabemos os custos que isso tem. São estradas que foram construídas para beneficiar a nossa região e não é isso que está a acontecer. Eu já não é a primeira vez que participo nestas acções e era bom que mais pessoas viessem para que se possa pressionar as pessoas responsáveis para que olhem para o interior e se consiga a abolição destas portagens”. 
O elevado custo das portagens é outro dos motivos que levou os cidadãos a marcar presença nesta acção, como é o caso de António Martins que regressou à região depois de algum tempo emigrado na Suíça “quando estava na Suíça pagava 40 francos por ano e podia circular por onde quisesse o ano inteiro. Aqui se pagar 40 euros não chega só para ir uma vez a Lisboa. Devemos lutar contra isto sobretudo porque a Beira Baixa é uma zona pobre e que não tem rendimentos para pagar estar portagens. A circulação devia ser grátis ou então ter preços muito mais reduzidos”.
Sérgio Santos, outro dos participantes nesta marcha lenta, decidiu aderir ao protesto como forma de contestar a inexistência de alternativas de circulação e considera que a região deve estar unida em torno de um objectivo comum que é a abolição das portagens “nós aqui no interior não temos alternativas seja para ir a Lisboa, ao Porto ou para outras cidades. Por exemplo para ir a Coimbra ou vamos pela Serra ou então temos de ir apanhar o IC 6 e para lá chegar temos de pagar portagens. Se quisermos ir a Lisboa temos de ir dar uma volta que demora umas cinco horas mas temos que pagar. E como se isso não chegasse ainda nos deparamos com o facto de a A 23 ser a auto estrada mais cara do país. Penso que devemos estar todos unidos e lutar pelo mesmo objectivo que é a abolição das portagens.

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