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Terça, 25 Set 2018
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SOCIEDADE
UE: PORTAGENS VÃO TER SISTEMA UNIFORME DE COBRANÇA
Rádio Cova da Beira
A comissária europeia dos transportes espera que nos próximos 18 meses possa ser aprovada legislação no sentido de uniformizar a cobrança de portagens nas auto estradas de todos os estados membros. O anúncio feito esta manhã na Covilhã por Violeta Bulc, que marcou presença na iniciativa “diálogo com os cidadãos” que decorreu no auditório de sessões solenes da UBI.
Por Nuno Miguel em 06 de Mar de 2018

A questão foi lançada para o debate por um dos elementos ligado à plataforma pela abolição das portagens nas scuts. De acordo com Luís Veiga a região do interior está a ser fortemente penalizada com esta situação uma vez que as alternativas de circulação são praticamente inexistentes “em cerca de três quatros da rede não existe alternativa em relação às auto estradas e por isso temos de pagar para as utilizar. Com a colocação das portagens aumentaram as disparidades entre o interior e as cidades do litoral e o impacto ambiental também. A segurança na circulação rodoviária piorou e ainda no ano passado tivemos mais acidentes que em anos anteriores e por isso queríamos saber de que forma a senhora nos pode ajudar a acabar com esta desigualdade”.  

 

Também o reitor da UBI se pronunciou sobre o tema. António Fidalgo sustenta que “um país pequeno como Portugal tem uma das melhores redes de autoestradas do mundo mas é uma anedota, porque ninguém anda nelas. Daqui até Torres Novas nós temos o quilómetro de autoestrada mais caro em Portugal e é absolutamente inadmissível que a região mais pobre do país tenha custos tão elevados ao nível dos transportes. Dou o exemplo de uma pessoa que estiver em Penamacor e que queira ir até Madrid, apanha a autoestrada e não paga nada. Mas se for a Lisboa, e nós para fazer qualquer reunião temos de ir a Lisboa, essa mesma pessoa já paga 70 euros de portagens”.

 

Violeta Bulc sublinha que actualmente não existem regras europeias ao nível da cobrança de portagens mas em Maio do ano passado foi apresentada uma proposta, actualmente em discussão, e que prevê um sistema uniforme para todos os estados membros “aquilo que foi proposto é um sistema digital que possa ser aplicado em toda a área europeia dos transportes e que possa ser usado em todos os estados membros. Não irão existir mais sistemas fragmentados e com esta proposta, assente num sistema de gsm, os carros podem circular em toda a união europeia e vão ser taxados de acordo com as estradas por onde passarem”.

 

No entanto, a comissária europeia dos transportes sublinha que “nesta proposta os estados membros vão ser livres de escolher se vão ou não implementar a cobrança de portagens, mas se o fizerem tem que cumprir com a nova regulamentação comunitária que estamos a preparar. A comissão foi chamada a intervir nesta matéria porque não há regras definidas. E a nossa proposta está assente no princípio do utilizador/poluidor. Não sei se sabem, mas os senhores já estão a pagar estas infraestruturas com os vossos impostos, mas não sabem ao certo o que pagam. E nós queremos ter a certeza que todo o processo vai ser feito de forma clara mas deixem-me dizer que esta não é a única região que está confrontada com este problema que aqui me descreveram”.

 

Violeta Bulc foi ainda confrontada com sucessivos investimentos anunciados para a modernização da linha férrea em Portugal, como é o caso da Linha da Beira Baixa, sem que se sintam efeitos práticos ao nível da redução do tempo de viagem e com material circulante que não corresponde às necessidades. A comissária europeia sustenta que vai acompanhar de perto essa situação até porque existe o compromisso do governo Português em adequar todos esses investimentos à legislação europeia “ainda ontem me foi assegurado que todos os novos investimentos vão, no futuro, corresponder à legislação europeia sobre as questões ferroviárias. Tenho que acreditar no vosso governo e que eles vão ser fiéis a essa promessa e nós vamos monitorizar isso. Queremos ter um sistema comum, com soluções integradas, e que seja possível ir do Porto até Helsínquia sem necessidade de mudar de locomotiva”.    

 

Violeta Bulc mostrou-se ainda favorável à proposta de redução do limite de velocidade para 30 quilómetros por hora dentro das localidades e sublinha que, apesar dos investimentos feitos na rede rodoviária, eles devem ser um complemento a outro tipo de transportes como o ferroviário e o marítimo, apontando como exemplo os portos Portugueses. Nesta deslocação à UBI, a comissária anunciou ainda um investimento de 12 milhões de euros para a atribuição de 30 mil passes para a mobilidade estudantil jovem até final de 2019 e deixou um forte apelo aos jovens para que se mobilizem cada vez mais em prol da construção europeia.

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