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Sábado, 23 Jun 2018
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SOCIEDADE
“ A ARGEMELA É NOSSA E HÁ DE SER ATÉ MORRER”
Rádio Cova da Beira
As palavras de ordem entoadas pelos escuteiros do agrupamento 31 do Barco (Covilhã) que integraram o cordão humano de protesto contra a exploração mineira da Argemela, área que abrange os concelhos da Covilhã e do Fundão.
Por Paulo Pinheiro em 05 de Mar de 2018

Apesar das adversas condições climatéricas, algumas centenas de pessoas reponderam ao apelo feito pelo Grupo de Preservação da Serra da Argemela e da União de Freguesias de Barco e Coutada para em uníssono dizerem não à extração de minério naquela zona.

As consequências nefastas para a vida das populações, se a mina avançar, “são mais que muitas”. A protecção da serra é fundamental “está em causa a destruição de 400 hectares”, refere Maria do Carmo Mendes, uma das promotoras do protesto. A responsável do Grupo Pela Preservação da Serra da Argemela espera que depois deste cordão humano “ os decisores políticos olhem para nós e vejam que somos pessoas que estamos aqui de pedra e cal, debaixo de chuva, e que tenham a sensibilidade para finalmente ponderar quanto à concessão destas estas explorações mineiras.  Portugal está um pouco adormecido em relação a esta problemática dado que não é apenas a Argemela existem vários pedidos de concessão não apenas para prospecção e pesquisa como também para exploração e as pessoas andam adormecidas. Todo o processo é bocado nebuloso no que toca à consulta pública, que é obrigatória”, disse.

Ideias partilhadas pelo presidente da junta da União de Freguesias de Barco e Coutada. Luís Mourais reafirmou alguns do argumentos utilizados na última sessão da assembleia municipal do Fundão para evidenciar as consequências nefastas para quem reside naquelas zonas se a exploração avançar “A previsão aponta para três mil quilos de dinamite por dia. Depois é o transporte do material para as britadeiras e é ruído constante 24 sobre 24 horas”, enfatiza. O autarca realça ainda o facto de, se o processo avançar na Argemela, vários projectos turísticos previstos para aquela área não se concretizarem

“Há pessoas que compraram o terreno e estão a investir em locais aqui da zona, simultaneamente já temos projectos de pessoas que fizeram a compra de casas, outros cidadãos, belgas e ingleses, também já mostraram vontade em aqui adquirir habitações e que apenas estão à espera deste processo. Se a mina avançar já não investem me estamos de falar, no mínimo de cera de 10 milhões de euros, só nestes, para além dos 500 milhões que se derretem, que é o património construído nas aldeias do Barco e da Coutada”, sustenta Luís Morais.

Vários autarcas, deputados e dirigentes partidários estiveram presentes, a presidente da junta de freguesia de Silvares podia deixar de apoiar a acção

“A nossa opinião é que esta exploração trará mais malefícios que benefícios, mesmo criando postos de trabalho. É que os empregos para as pessoas desta zona serão muito poucos”, afirma Cláudia Pereira.

É também o que defende Pedro Torres, residente no Barco, que com a esposa e filho se junto ao cordão humano

“Este é um movimento importante em defesa da Argemela e não queremos poluição para a nossa terra e temos todo o direito de criar os nossos filhos com a maior dignidade possível e sem poluição de preferência. A exploração não vai criar postos de trabalho é uma ilusão. As empresas que vêm a operar já têm os seus funcionários e os postos de trabalho que viessem a criar seriam residuais e não compensam os estragos que viriam trazer”.

 

Natália Marques, natural de Barco, emigrou para a Suíça e tem ideia de voltar. Não concorda com a exploração mineira porque a serra da Argemela é o coração da aldeia

“O coração do Barco é a Serra da Argemela. Não queremos poluição aqui e isto é muito mau para a nossa aldeia”.

 

Manuel Carvalho, vive em Coutada, lembrou que a contaminação do rio Zêzere vai chegar a Lisboa. Exploração da Argemela, não obrigado

“ Querem destruir a natureza que temos aqui. Há terrenos contaminados do antes, porque já viemos esta situação, e agora não vamos deixar no depois contaminar ainda mais. Mas não é só aqui que vão poluir, toda a linha do rio Zêzere vai também ficar afectada e os habitantes de Lisboa que abram os olhos porque a contaminação vai lá chegar. Haja bom senso. Quanto aos postos de trabalho, eles vão trazer máquinas e pessoal para aqui trabalhar não é aqui que os arranjam. Temos que tentar salvar isto”, remata.


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