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Domingo, 24 Jun 2018
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POLÍTICA
CONTRA A EXPLORAÇÃO MINEIRA NA ARGEMELA
Rádio Cova da Beira
A Assembleia Municipal do Fundão (AMF) aprovou por unanimidade uma moção contra a exploração mineira da Serra da Argemela.
Por Paulo Pinheiro em 02 de Mar de 2018

Apresentada pelo Bloco de Esquerda, a moção alerta para os eventuais riscos para a saúde das populações circundantes tais como como: a inalação de partículas soltas, a exposição a vibrações e ruídos e a metais pesados e águas contaminadas e à presença de metais radioactivos

 

“De entre os vários minerais a ser extraídos, se encontram o césio e o rubídio que se caracterizam pela sua radioatividade, a qual, mesmo em pequenas quantidades, é fator de risco muito elevado em problemas de saúde como a infertilidade e o cancro. Que está implícita a destruição de uma Serra (resultado de uma mina a céu aberto com as características como a que se pretende e com a área de exploração anunciada), da fauna, da flora e do património arqueológico. Que serão muito prejudiciais os efeitos da poluição atmosférica e os impactos no rio Zêzere e nos solos”.

 

De acordo com Cristina Guedes o que está em causa é a destruição da serra da Argemela, através de um cone invertido, com 650 metros, e dois quilómetros de diâmetro “são 403 hectares que estão em causa”. A eleita do BE na AMF disse ainda que os pareceres das câmaras municipais do Fundão e da Covilhã constantes no parecer da comissão e avalização são precários.


Também Carlos Jerónimo é crítico em relação à possível exploração mineira na Argemela. O autarca responde aos que o acusam de também não ser contra as Minas da Panasqueira

 

“Isso é falacioso porque as Minas da Panasqueira têm mais de 100 anos e criaram uma estrutura económica e social na zona que não se pode desmantelar sem graves prejuízos para as populações, mas estamos a tempo de evitar uma Minas da Panasqueira 2. Em relação à Argemela, não faz sentido ter um castro no topo daquela serra e em rodapé nascer uma mina a céu aberto. É um contrassenso de todos os pontos de vista”, sustenta.  

 

Recordando que foi o PS, numa sessão em Silvares, que iniciou a discussão no concelho em torno do assunto, numa iniciativa em que câmara municipal do Fundão não se fez representar, José Pina afirma que este é um problema muito sério na região

 

“Dizer que é possível fazer alguma coisa, que não há inconveniente nenhum, que estão acauteladas todas as situações, isso não é verdade!  Já não falamos do impacto ambiental em termos visuais que isso acarreta, mas falamos de outro tipo de impactos, nomeadamente da contaminação quer do ar quer do lençol freático. É um problema sério”, defende.  

 

Admitindo que este é um processo “apetitoso” para os grupos empresariais e que já foi analisado noutros fóruns, Rogério Hilário, mostra-se apreensivo até porque, disse, “há uma alteração de perfil daquilo que o Governo queria fazer”. Este é um momento para a união de todos na defesa da Argemela. Mas se a exploração mineira for aprovada, o membro da bancada do PSD defende que a região tem que exigir várias contrapartidas

 


“Não dou por vencida esta tarefa. Se nos unirmos, acho que somos capazes de ter algum resultado. No entanto, deixo uma sugestão: se não conseguirmos parar este processo saibamos exigir que todo o processo fique na região para aqui deixar riqueza e postos de trabalho”, frisa.

  

A Coligação Democrática Unitária também votou favoravelmente a proposta, mas espera que sejam públicas as condições em que o investimento vai ser feito e se são salvaguardadas todas as questões ambientais, refere Catarina Gavinhos

 

“Ainda não nos foi apresentado o impacte ambiental do que querem fazer. Assumindo que os impactes são dessa natureza, votamos favoravelmente a moção. Em relação à exploração dos recursos naturais, desde que os impactes ambientais sejam respeitados eles são uma riqueza das regiões e temos que assegurar que fiquem neste território”, salientou.

Neste processo, a câmara municipal do Fundão está de consciência tranquila porque dá o exemplo do que é passar das palavras à prática, refere o presidente do município

 

“Acho que devemos estar de consciência tranquila porque há alguns anos, e por várias vezes, voltámos ao assunto naquilo que é passar de palavras a actos porque estamos a falar de questões que têm processos administrativos complexos”, sublinha.

 

Na sessão da AMF estiveram alguns do membros do movimento criado em torno da Argemela. Maria do Carmo Mendes, autora da petição que deu origem ao grupo “Pela Preservação da Serra da Argemela”, explicou o que move este conjunto de pessoas

 

“Queremos alertar para que haja ponderação nas decisões. Não se pode implantar uma mina à porta das pessoas e muito menos impingir esse modelo a uma população que vai ficar exposta a tudo aquilo”, realça.

 

O presidente da junta da União de Freguesias de Barco e Coutada evidencia as consequências nefastas para quem reside naquela zona se a exploração avançar

 

“A previsão aponta para três mil quilos de dinamite por dia. Depois é o transporte do material para as britadeiras e é ruído constante 24 sobre 24 horas”, enfatiza.

 

Autarca e responsável do movimento lembraram que é já este domingo, dia 4 de Março, às 14:30H, que se realiza um cordão humano na freguesia de Barco, "uma manifestação pacífica” contra a ameaça da concessão de uma exploração mineira a céu aberto na Serra da Argemela, pedido pela empresa PANNN, Consultores de Geociências, Lda. A concentração está marcada para a ponte da aldeia.

 

 

Foto: Cristina Guedes do BE 


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