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Terça, 25 Set 2018
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SOCIEDADE
LUÍS GARRA PEDE NOVAS POLÍTICAS
Rádio Cova da Beira
No oitavo congresso da União dos Sindicatos de Castelo Branco, que se realizou esta quinta-feira, no Tortosendo, Luís Garra deixou avisos ao governo socialista e afirmou que o interior não precisa de um novo olhar mas sim de novas políticas

Por Paulo Pinheiro em 23 de Feb de 2018

Foi a terceira vez que a União dos Sindicatos de Castelo Branco escolheu o Tortosendo para a realização do seu congresso distrital “pelas suas tradições operárias, pela sua história de resistência ao fascismo e de luta pela liberdade e a democracia”. A sede da Associação Empresarial da Beira Baixa acolheu a reunião, que contou com a presença de dezenas de delegados sindicais e diversos convidados, entre eles o presidente da CMC, secretário-geral da CGTP e mais dois membros da direcção, representantes das Comissões Obreiras e a da UGT de Castilha e Leon, representantes das uniões e federações da Guarda, Viseu, Coimbra e Federação da Construção, Cerâmica e Madeiras, delegado do IEFP, ACT, do Inatel, juntas de freguesias e duas delegações do PS e do PCP.

 “Vocês sabem que esta união de sindicatos não é só de discurso, é uma união de todos os combates e é de acção qualificada, proponente e reivindicativa. É uma união em que podem confiar para os grandes desafios que temos pela frente. Vou repetir o que disse há quatro anos: A União de Castelo Branco é como o algodão: Não vos engana!”, disse o coordenador USCB dirigindo-se à delegação da CGTP.

Apesar de reconhecer os avanços registados na política do actual Governo, comparativamente ao anterior de coligação PSD/CDS fortemente criticado, a USCB promete não abrandar a luta pelos direitos dos trabalhadores “o que o Governo tem de fazer não é ficar sentado á sombra do já conseguido. O que há a fazer é continuar o caminho iniciado e fazer o que falta fazer e o que falta fazer é a valorização do trabalho e dos trabalhadores e deixar-se de palavras e concretizar uma verdadeira política de combate às assimetrias e de desenvolvimento do interior do país”, defende Luís Garra.

 

O sindicalista deixou clara a posição em relação á postura que o Governo vier a adoptar nos próximos tempos

“O governo está a meio do seu mandato e para nós há dois caminhos: Ou o Governo do PS resiste e combate as ingerências e chantagens externas, ultrapassa as contradições que tolhem soluções e avanços, assume a ruptura com a política de direita, aceita fazer a revisão da legislação laboral e assegura medidas de desenvolvimento do Interior para coesão económica, social e territorial do país, ou, não pode ter da parte dos trabalhadores outra reacção que não seja a luta nas empresas e na rua”, frisa.

 

A USCB já escolheu os temas pelos quais vai lutar

“Vamos lutar para valorizar o trabalho, defender e promover os direitos dos trabalhadores e a exigir um melhor funcionamento da ACT, que continua a ter má orientação central e a ter insuficiência de Inspectores e de meios técnicos e a lutar contra a desvalorização do ramo do Direito de Trabalho; Tribunal de trabalho da Covilhã, qualidade das sentenças. Vamos resistir à

desregulação dos horários, defender os dois dias seguidos de descanso semanal e lutar pela conciliação entre a vida profissional e familiar. Vamos pugnar por Melhor Formação e mais qualificações e combater o uso e abuso patronal no recurso às medidas de estímulo/emprego. Não podemos continuar a assistir ao desvirtuamento dos objectivos dos estágios profissionais e da formação em contexto de trabalho pois, é sabido que em muitas situações estes são usados para a execução de tarefas e funções de carácter permanente e, nalguns casos diferentes daquelas que estiveram na base da sua aprovação”.

 

As funções sociais também não vão ser esquecidas

“A protecção social não pode ser transformada em caridade e não pode ser fonte de negócio e de lucro; A saúde e a defesa do SNS estarão no centro das nossas preocupações. O seu sistema de financiamento, que é profundamente penalizador para as unidades de saúde do interior, tem que ser alterado; A escola Pública e o direito ao ensino têm que ser uma questão estratégica dirigida à qualidade do ensino dos alunos” refere o coordenador da USCB.

 

Reafirmando que o Programa Nacional para a Coesão Territorial criado pelo Governo não assume uma estratégia de desenvolvimento para cada uma das regiões “tem medidas avulsas, é limitadas em meios, não fala da regionalização e não é suficientemente afirmativo quanto ao indispensável papel do Poder Local, Luís garra critica aqueles que classifica de “carpideiras, que hoje choram sobre o leite derramado e enchem a boca com o interior”, numa altura em que a “casa ardeu, a água falta, e os atentados ambientais sucedem-se”, os mesmos que, acrescentou, quando estiveram no Governo foram autênticos “carrascos interior”. O coordenador da União indicou como exemplo o actual presidente da CM da Guarda e membro do recém-criado Movimento Pelo Interior

“Foi Álvaro Amaro quem afirmou preto no branco: “Se querem pôr um nome a este movimento – chamem-lhe “Bloco Central” ou outra coisa e o que é estranho é que esta coisa tem o beneplácito do Presidente da República e tem a conivência por omissão do Primeiro-ministro António Costa”, realça.

E quanto um novo olhar para o interior defendido agora por alguns responsáveis, Luís Garra deixou a resposta

“ Quero com frontalidade dizer que nós não precisamos de um novo olhar. O que precisamos é de novas políticas para o interior e para o desenvolvimento económico, social, ambiental e cultural do país. Estamos fartos que olhem para nós como se fossemos uma espécie rara que se vem visitar de vez em quando e mesmo assim cada vez menos porque as portagens são caras. Não olhem, façam! Porque para olhar estamos cá nos, vamos ao espelho e gostamos do que vemos”, ironizou.

Numa intervenção de mais de 50 minutos, em que o coordenador da USCB fez o balanço da actividade realizada e das acções a desenvolver, Luís Garra traçou como objectivos da organização “ter mais e melhor acção reivindicativa; aumentar a sindicalização; promover a eleição e a formação de mais delegados sindicais; continuar a reestruturação síndicas e concretizar as medidas de reestruturação administrativa e financeira.


Na sessão de abertura, o presidente da câmara municipal considerou o congresso “um momento maior do movimento sindical do distrito”. Face aos problemas que persistem na região, Vítor Pereira defendeu, a necessidade de políticas de discriminação positiva para o interior

“Redução acentuadamente progressiva das portagens até à sua total abolição. É imperioso reduzir impostos e conceder benefícios fiscais aos trabalhadores, às famílias e empresas que estoicamente vivem e se fixaram no interior. É urgente descentralizar administrativamente, mas sempre acompanhado do respectivo suporte financeiro. É importante criar alternativas mais sólidas e consistentes ao desfasado modelo das actuais comunidades intermunicipais”, disse o autarca.

Um congresso onde a UBSC reafirmou a necessidade de um Plano de Emergência para o distrito de Castelo Branco.

 


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