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S√°bado, 16 Dez 2017
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DESPORTO
DESPORTO: UMA FERRAMENTA DE INCLUSÃO
Rádio Cova da Beira
No √Ęmbito das comemora√ß√Ķes do Dia Internacional da Pessoa com Defici√™ncia, a APPACDM do Fund√£o, em colabora√ß√£o com a CMF, Pinus Verde, Atl√©tico Clube Fundanense, promoveu os "Encontros Com Desporto Inclusivo".
Por Paulo Pinheiro em 06 de Dec de 2017

Durante a manhã de segunda-feira, 4 de Dezembro, centenas de crianças participaram nas demonstrações de Boccia, Judo Adaptado e Atletismo, que decorreram no piso 0 do pavilhão gimnodesportivo municipal do Fundão. Durante a tarde, e dirigido para a comunidade em geral, o pavilhão multiusos acolheu um seminário sobre a temática.

 

Para além de sublinharem a importância da interacção conseguida na parte da manhã entre as crianças ditas normais e as que possuem deficiência, mas onde não houve diferença, os oradores convidados destacaram o trabalho que nesta área do desporto se tem feito reconhecendo que muito está por fazer

 

" “Há um longuíssimo caminho a percorrer, mas estamos a dar passos importantes. Há vários exemplos, o do Gabriel Macchi, é fabuloso, o do Sérgio Carvalho (judo adaptado) também é de assinalar alguém que não tem qualquer histórico com a deficiência e se dedica a esta área. A experiência realizada esta manhã (demonstração de modalidades como o Boccia/atletismo/judo adaptado com a participação de centenas de jovens alunos) foi fabulosa porque é nas crianças que temos que centrar a nossa atenção. É preciso transmitir-lhes que não há diferenças e que limitações todos temos”, refere Pedro Serra, director técnico do Special Olympics Portugal, que fez a história do evento.  Aquele responsável anunciou que  na próxima sexta-feira, Alcains recebe o quarto e último torneio de judo do ano, com cerca de 40 atletas.

“Semear o Boccia nas Escolas” foi tema explanado pelo seleccionador da modalidade que deu a conhecer o trabalho que está a ser em todo o país. O Boccia é uma modalidade de cariz universal, descendente de um jogo da antiga Grécia, que progrediu através do Império Romano, tendo vindo a dar origem a uma vasta gama de jogos, dos quais destacamos o bowling e a petanca. Foi introduzido em Portugal em 1983.

Para o atleta paralímpico Gabriel Macchi, que falou no atletismo adaptado, e na sua experiência a nível mundial, “as organizações ainda não estão a ter em atenção o parâmetro dos atletas com deficiência e somos nós que participamos nas provas convencionais e temos que nos adaptar à organização quando devia ser o contrário. É um caminho longo que ainda temos que fazer e acho que ainda nem o começámos”, refere.

Uma ideia partilhada por Sérgio Carvalho, pelo treinador de judo adaptado. O dirigente do Atlético Clube Fundanense sustenta que “a inclusão é muito importante mas sentimos muitos obstáculos em mudar mentalidades, nomeadamente no que diz respeito a pais e encarregados de educação. Temos alguma dificuldade em que os atletas participem em provas ao fim-de-semana porque os pais não os libertam. Neste sentido, acho que há ainda aqui um estigma “, conclui.

O município “tem o desafio maior” de transformar o Fundão numa cidade inclusiva. O vice-presidente da autarquia destaca algum trabalho que está a ser feito

“Temos percorrido um caminho grande nesta área seja na transformação urbana, quando criamos faixas de mobilidade, quando trocamos a sinalização vertical, quando sinalizamos melhor as passadeiras para ajudar as pessoas com deficiência visual, é o que fazemos quando apoiamos eventos culturais como que aconteceu no festival “Míscaros 2017”, em Alcaide, entre outras acções”.

Miguel Gavinhos deixou ainda um elogio público ao trabalho que Sérgio Carvalho, do Atlético Clube Fundanense, está a realizar no judo adaptado

“Estamos ao lado da APPACDM do Fundão, do Atlético Clube porque achamos que este é um belo exemplo, que deve ser reconhecido em vários fóruns, do que é um farol nesta área da deficiência”, disse.

Também a Pinus Verde, associação de desenvolvimento, apoiou a acção dado que no Contrato Local Desenvolvimento Social (CLDS) há um eixo que aponta para a concretização de medidas que promovam a inclusão activa de pessoas com deficiência e incapacidade bem como a capacitação das instituições. Este é um excelente exemplo”, disse Carlos Jerónimo.

Na sessão de abertura o vice-presidente da APPACDM do Fundão, António Rocha, reafirmou o que recentemente disse em entrevista à RCB

“ É mais fácil termos colaboradores, sócios em instituições de outro cariz do que nas instituições que trabalham, lutam e que se dedicam inteiramente ao trabalho dos deficientes. É com uma certa mágoa que sinto isto porque nos meus tempos de menino o deficiente era uma pessoa marginalizada, que se escondia, penso que hoje a sociedade não tem necessidade de esconder ninguém”, acentua o dirigente.   

 


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