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Sábado, 16 Dez 2017
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CULTURA
JOSÉ MENDES VEIGA: “UM SELF MADE MAN”
Rádio Cova da Beira
Museu dos lanifícios da Universidade da Beira Interior evocou José Mendes Veiga, numa altura em que se assinalam os 200 anos da morte daquele que foi “um dos mais dinâmicos e tenazes empresários do país”, como referiu a investigadora e historiadora Elisa Pinheiro durante a “Tarde de quinta no museu", este mês dedicada ao seu fundador.
Por Paula Brito em 25 de Nov de 2017
 

“Uma figura de uma grande tenacidade, um self made man, um homem que lutou contra os problemas com que se deparou na vida. Uma outra dimensão de José Mendes Veiga é que ele foi um técnico têxtil apurado ligado à tinturaria e com uma grande presença na Corte de D. Maria, onde ele conseguiu privilégios reais para esta fábrica.”

Privilégios como ter uma chumbeira própria com as armas reais que a transformaram na Real Fábrica Veiga.

“Todos os outros fabricantes tinham que mandar à casa da aprovação os tecidos para que levassem uma chancela e se verificasse se estavam conforme as normas do corporativas daquele fabrico, ele conseguiu não ir lá, no fundo isto já é o liberalismo a surgir e o rebentar do corporativismo que vinha da Idade Média”.

Mas este não foi o único privilégio régio conseguido por José Mendes Veiga junto da Corte. O empresário, que nas palavras de Elisa Pinheiro “trouxe o liberalismo para a Covilhã”, conseguiu ainda a exclusividade para tingir o azul ferrete através da urzela, o que lhe valeu muitos inimigos na concorrência, mas que acabou por ser uma revolução no mercado das fazendas.

“O tingimento mais nobre era feito com Anil, e requer uma série de operações dificílimas e foi por isso que Marquês de Pombal trouxe a real fábrica de panos para a Covilhã. Ora José Mendes Veiga vai usar a urzela e arranjar um azul de mais baixa qualidade, é outra machadada nas normas do corporativismo, pode haver outros azuis, se debotam, paciência, mas  passa a haver fazendas para vários preços, é isto que marca o inicio do liberalismo é um homem que nos traz o liberalismo para a Covilhã por isto.”

José Mendes Veiga era filho de um casal de cristãos novos do Fundão que se instalariam em Belmonte onde nasceu José Mendes Veiga. Ficou órfão de pai e mãe com apenas 4 anos, e teria sido o seu tio paterno e padrinho que o levou para a Covilhã. Começou por ser um negociante de lãs e panos e em 1784 fundou a fábrica aproveitando as ruinas de umas estruturas “provavelmente do Séc. XV, que precisam ainda de ser estudadas” junto à ribeira de Goldra.

Teve nove filhos, um dos quais com o seu nome, e o seu braço direito na fábrica, o comendador José Mendes Veiga que dá nome a uma das ruas da cidade da Covilhã.

Para além de José, Rafael e Manuel Mendes Veiga foram os filhos que deram continuidade à fábrica e ampliaram o império dos lanifícios que chegou a contar com 14 unidades fabris, “espalhadas pela região, para além das diversas escolas de fiação criadas em meios rurais, agregadas a este complexo industrial”. Até à queda da monarquia foi um dos mais importantes grupos empresariais de lanifícios.     


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